Ortopedia

Corrida após os 40 cresce no Brasil e exige atenção a dores e articulações

Com mais brasileiros adotando a corrida como hábito de saúde, especialistas alertam para avaliação médica, progressão gradual do treino e fortalecimento muscular para reduzir o risco de lesões.

Por Redação Brazil Health , 26/06/2026

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Corrida após os 40 cresce no Brasil e exige atenção a dores e articulações

O número de brasileiros que passaram a correr tem aumentado, com destaque para pessoas acima dos 40 anos. Um levantamento da Olympikus em parceria com a Box1824 estima que o país tenha mais de 13 milhões de corredores, impulsionados principalmente pela busca por qualidade de vida.

Na mesma pesquisa, 83% dos praticantes dizem correr com foco na saúde física e mental. O dado reforça o papel da corrida como estratégia para manter o corpo ativo ao longo do envelhecimento.

Especialistas, no entanto, chamam atenção para cuidados extras a partir dessa faixa etária, quando mudanças naturais do organismo podem influenciar o impacto da atividade. Entre elas estão a perda de massa muscular, a redução da flexibilidade e o maior desgaste das articulações.

Para o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, a adesão é positiva, mas pede planejamento. “A corrida é uma excelente atividade cardiovascular e traz inúmeros benefícios, mas, após os 40 anos, é fundamental respeitar os limites do corpo e adotar uma prática orientada”, afirma.

Risco aumenta com início abrupto e sem preparo

Um dos erros mais comuns, segundo o médico, é sair do sedentarismo e começar a correr sem condicionamento prévio. “Muitos pacientes saem do sedentarismo direto para a corrida, o que aumenta o risco de lesões como tendinites, dores no joelho e sobrecarga nas articulações”, diz.

Dados do Ministério do Esporte também indicam que a corrida de rua está entre as atividades físicas mais praticadas no país, o que a torna uma porta de entrada frequente para quem quer abandonar o sedentarismo.

Apesar da preocupação com lesões, a idade não precisa ser barreira. Quando bem conduzida, a corrida pode ajudar a preservar a mobilidade, fortalecer músculos e contribuir para a redução de processos inflamatórios.

“Correr pode ser um grande aliado da saúde articular. O problema não está na atividade em si, mas na forma como ela é realizada, muitas vezes sem fortalecimento muscular, sem acompanhamento e ignorando sinais de dor”, destaca Lanzotti.

Cuidados recomendados para correr com mais segurança

O especialista recomenda avaliação médica antes de iniciar, sobretudo para quem tem histórico de dores articulares ou doenças reumáticas. Ele também orienta incluir exercícios de fortalecimento muscular e alongamento na rotina, como forma de proteger as articulações e dar mais estabilidade ao corpo.

Outro ponto é respeitar a progressão do treino, evitando aumentos rápidos de distância ou intensidade. “O corpo precisa de adaptação. Aumentar distância ou intensidade de forma abrupta é um dos fatores que mais levam a lesões”, alerta.

A escolha de calçados adequados e a atenção à postura durante a corrida também entram na lista de medidas para reduzir sobrecargas.

Quando a dor é um sinal de alerta

Para quem já sente incômodo, a recomendação é não tratar o sintoma como parte inevitável do esporte. “Dor persistente nunca deve ser normalizada. Ela pode ser o primeiro sinal de uma lesão ou até de uma condição reumatológica que precisa ser investigada”, afirma o reumatologista.