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Por que a ressaca também é emocional? Como a saúde mental é afetada e como amenizar os sin

Psiquiatra explica por que a ressaca pode trazer ansiedade e irritabilidade e lista cuidados para a recuperação

Por Redação Brazil Health , 24/02/2026

3 min de leitura

Por que a ressaca também é emocional? Como a saúde mental é afetada e como amenizar os sin

Após festas e consumo elevado de álcool, não é só o corpo que sente os efeitos no dia seguinte. Ansiedade, irritabilidade, queda de humor e dificuldade de concentração podem aparecer por até 24–48 horas. Segundo o psiquiatra José Luis Leal, do Grupo Kora Saúde, entender o que acontece no cérebro ajuda a reduzir o impacto emocional e orientar a recuperação.

O álcool age inicialmente como depressor do sistema nervoso central, dando sensação de relaxamento. Na sequência, ocorre um “rebote” químico que desorganiza temporariamente circuitos ligados ao prazer e ao equilíbrio emocional, o que pode explicar o sentimento de vazio, a inquietação e a tristeza pós-festa. “O consumo exagerado provoca alterações temporárias em neurotransmissores como serotonina e dopamina, fundamentais para o equilíbrio emocional. Esse desajuste pode levar à piora do humor, aumento da ansiedade, desmotivação e até episódios depressivos transitórios, especialmente em pessoas com histórico prévio de transtornos psiquiátricos”, afirma Leal.

Como aliviar os sintomas

O primeiro passo é priorizar o sono – a recuperação do descanso ajuda a normalizar gradualmente os sistemas cerebrais afetados pelo álcool. Em paralelo, hidratação e alimentação equilibrada contribuem para estabilizar a energia e o bem-estar. “Manter-se hidratado e consumir alimentos ricos em vitaminas e minerais, como frutas e vegetais, é essencial para estabilizar os níveis de energia e otimizar a função cerebral”, orienta o psiquiatra.

Atividades físicas leves, como caminhadas, favorecem a liberação de endorfinas e melhoram o humor. Técnicas de respiração e práticas de relaxamento, a exemplo da meditação, também podem reduzir o estresse e a irritabilidade durante a fase de ressaca emocional.

Especialistas alertam para o risco da automedicação. Analgésicos, ansiolíticos ou “remédios para dormir” usados sem orientação podem mascarar sintomas, interagir com o álcool ainda presente no organismo e agravar o quadro. Em caso de dúvidas, a avaliação médica é recomendada.

Prevenção e limites

A melhor forma de evitar a ressaca – física e emocional – é moderar o consumo. Exageros aumentam o risco de acidentes, intoxicação e desconfortos psíquicos nas horas seguintes. Conhecer limites pessoais, intercalar bebidas alcoólicas com água e não beber em jejum são medidas de proteção.

Quando procurar ajuda

Se os sintomas persistirem por vários dias, se tornarem incapacitantes ou vierem acompanhados de ansiedade intensa, tristeza prolongada, alterações significativas no comportamento ou ideia de autolesão, é fundamental buscar avaliação com um profissional de saúde mental. O acompanhamento especializado orienta estratégias de manejo e identifica condições que possam exigir tratamento.

Para quem convive com transtornos psiquiátricos, o cuidado deve ser redobrado. Ajustar o consumo de álcool e manter o seguimento terapêutico reduz a chance de recaída e de piora do humor após eventos sociais.