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Crise de ansiedade: o que fazer na hora e quando buscar atendimento médico

Taquicardia, falta de ar e tremores podem assustar e até lembrar um infarto. Psiquiatra orienta como reconhecer sinais, evitar atitudes que pioram o quadro e identificar situações em que é preciso avaliação médica imediata.

Por Redação Brazil Health, 25/07/2026

3 min de leitura

Crise de ansiedade: o que fazer na hora e quando buscar atendimento médico

Taquicardia, falta de ar, tremores, suor intenso e a sensação de que algo grave vai acontecer são queixas comuns em uma crise de ansiedade. Pela intensidade, muitas pessoas confundem o episódio com um problema cardíaco, o que aumenta o medo e pode prolongar o mal-estar.

O psiquiatra Gustavo Omena alerta que o quadro não deve ser minimizado, mas também não pode ser concluído sem investigação. “A crise de ansiedade é um diagnóstico de exclusão. Antes de atribuir os sintomas à ansiedade, precisamos afastar doenças cardiovasculares, metabólicas e neurológicas que podem se manifestar de forma semelhante e representar risco à vida”, afirma.

Após a avaliação clínica, o episódio pode estar relacionado a transtornos de ansiedade ou ao transtorno do pânico. Nesses casos, além dos sintomas físicos, é frequente o medo intenso de morrer, perder o controle ou “enlouquecer”. Omena chama atenção para outro ponto que assusta pacientes: “Muitas vezes, a crise acontece sem qualquer gatilho aparente”.

Como agir durante uma crise

O comportamento de quem está ao redor pode influenciar a intensidade do episódio. A orientação é reduzir estímulos, manter-se por perto e incentivar uma respiração mais lenta, com inspiração pelo nariz e expiração prolongada pela boca. Também podem ajudar técnicas simples de aterramento, como pedir que a pessoa identifique sons, objetos e sensações do ambiente, para trazer a atenção de volta ao presente.

“O cérebro em uma crise de ansiedade está em estado de alerta máximo. Neste momento, a pessoa precisa primeiro sentir que está segura. Só depois faz sentido conversar sobre o que aconteceu”, explica o psiquiatra.

Atitudes que tendem a piorar

Frases que desqualificam o sofrimento, como “isso é frescura” ou “você está exagerando”, podem aumentar a angústia e a sensação de desamparo. Outra armadilha é tentar discutir racionalmente no pico da crise: o organismo está voltado para a percepção de ameaça e tem mais dificuldade de processar argumentos.

Barulho, excesso de pessoas falando ao mesmo tempo e outros estímulos também podem intensificar os sintomas. Omena resume: “O acolhimento é muito mais eficaz do que tentar convencer alguém de que não há motivo para sentir medo. A lógica só volta a funcionar quando o organismo deixa o estado de alerta”.

Quando buscar atendimento médico

Mesmo que crises de ansiedade sejam comuns, há situações em que a avaliação deve ser imediata. Pessoas sem diagnóstico prévio, idosos e pacientes com doenças cardíacas devem procurar atendimento sempre que houver sintomas como dor no peito, falta de ar intensa, alterações do ritmo cardíaco ou perda de consciência.

Já o acompanhamento com psiquiatra e psicoterapia é indicado quando as crises se tornam frequentes, passam a interferir na rotina, levam ao isolamento social ou fazem a pessoa evitar lugares e atividades por medo de ter um novo episódio.

Segundo o especialista, o tratamento é individualizado e pode combinar psicoterapia, medicação quando indicada e mudanças de estilo de vida. “O mais importante é entender que ansiedade tem tratamento e que procurar ajuda é um passo fundamental para recuperar a qualidade de vida”, conclui.