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Ansiedade e depressão avançam entre jovens; canabidiol entra no radar clínico

OMS aponta alta de casos na adolescência; no Brasil, cenário preocupa. Especialistas discutem quando o CBD pode ser considerado com prescrição e monitoramento

Por Redação Brazil Health , 22/02/2026

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Ansiedade e depressão avançam entre jovens; canabidiol entra no radar clínico

A ansiedade e a depressão vêm crescendo entre adolescentes e jovens adultos, com impacto direto no desempenho escolar, nas relações sociais e na qualidade de vida. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que um em cada sete adolescentes convive com algum transtorno mental, e o Brasil figura entre os países com maiores taxas de ansiedade. Diante desse quadro, ganham força discussões sobre terapias complementares – entre elas, o canabidiol (CBD) – sob critérios clínicos e regulação sanitária.

Cenário no Brasil e no mundo

Estudos citados pela OMS mostram que a ansiedade e a depressão são os diagnósticos mais frequentes na juventude. No Brasil, estimativas da agência apontam prevalência de ansiedade em cerca de 9,3% da população e depressão em 5,8%. Especialistas alertam que muitos quadros começam na adolescência e avançam sem diagnóstico ou tratamento adequados, o que amplia o risco de cronicidade e prejuízos na vida adulta.

CBD entra no debate clínico

O canabidiol, substância não psicoativa da Cannabis sativa, atua em receptores do sistema endocanabinoide, associado à regulação do humor, do estresse e do sono. Não é considerado tratamento de primeira linha para depressão, mas estudos e a prática clínica têm apontado possíveis benefícios no manejo de sintomas de ansiedade em casos selecionados, sempre com prescrição e acompanhamento médico.

“Hoje o canabidiol já pode ser considerado uma opção terapêutica segura e bem tolerada para determinados quadros de ansiedade, inclusive em jovens. O ponto central é a avaliação individual e o acompanhamento médico contínuo”, afirma o psiquiatra André Basso.

Segundo o especialista, a avaliação do uso de cannabis medicinal pode ocorrer, caso a caso, nos seguintes contextos:

  • Transtornos de ansiedade persistentes, quando há resposta insuficiente a tratamentos convencionais;
  • Crises de ansiedade e pânico que interferem na rotina e no bem-estar;
  • Distúrbios do sono associados à ansiedade;
  • Depressão resistente, como terapia complementar, sob acompanhamento psiquiátrico;
  • Apoio à retirada de hipnóticos e benzodiazepínicos em quadros de ansiedade e insônia.

Regulação e segurança

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária atualizou recentemente regras que reforçam a regulamentação do uso medicinal da cannabis, incluindo o CBD. As normas preveem prescrição, controle e rastreabilidade dos produtos, além de critérios sanitários para fabricação, importação e dispensação.

Para Michele Farran, empresária do setor de cannabis medicinal, o avanço regulatório é decisivo para a proteção do paciente. “O crescimento dos casos de ansiedade e depressão entre jovens exige soluções baseadas em ciência, responsabilidade e acesso seguro. O canabidiol não é indicado para todos os pacientes, mas, quando bem prescrito e acompanhado, pode ser um aliado importante”, diz.

Basso ressalta que o uso deve seguir critérios clínicos claros, com escolha de formulação, definição de dose e monitoramento contínuo. “Em um cenário de avanço dos transtornos emocionais entre jovens, o desafio da saúde pública está em ampliar o acesso a tratamentos eficazes sem abrir mão da segurança, da evidência científica e da ética médica”, afirma.