Psiquiatria Infantil

Aumento de Transtornos Mentais Entre Crianças e Adolescentes Exige Atenção Urgente

Atendimentos por ansiedade cresceram mais de 3.000% nos últimos anos e reforçam necessidade de atenção à saúde mental infantojuvenil

Por Redação Brazil Health , 15/08/2025

3 min de leitura

Aumento de Transtornos Mentais Entre Crianças e Adolescentes Exige Atenção Urgente

O aumento expressivo nos diagnósticos de transtornos mentais entre crianças e adolescentes no Brasil tem gerado preocupação entre médicos e especialistas. Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2014 e 2024, os casos de ansiedade atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) saltaram quase 2.500% entre crianças de 10 a 14 anos, e 3.300% entre jovens de 15 a 19 anos.

Os fatores por trás desse crescimento vão desde o impacto da pandemia até mudanças no convívio social, uso intenso de eletrônicos e desafios familiares. Dados recentes colocam questões emocionais, ao lado de problemas como obesidade e sedentarismo, entre os principais motivos de procura por consultórios e hospitais pediátricos.

O professor de psiquiatria infantil Rodrigo Eustáquio, da Afya Educação Médica de Vitória (ES), destaca que identificar transtornos mentais em crianças exige atenção redobrada. “Diferentemente dos adultos, as crianças não verbalizam, na maioria das vezes, seus sentimentos e sofrimentos, manifestando-os por meio de alterações em seu comportamento, ou humor com quadros de irritabilidade, queda no rendimento acadêmico, apetite, entre outros”, explica o psiquiatra.

Para o especialista, o papel de pais, professores e de toda a rede de convivência é fundamental no reconhecimento dos primeiros sinais de sofrimento emocional. Entre as principais recomendações estão:

  • praticar a escuta ativa e empática
  • observar mudanças de comportamento, humor e rendimento escolar
  • estreitar os vínculos afetivos entre adultos e crianças
  • buscar apoio profissional em casos de suspeita de transtornos

“A participação ativa da família e da comunidade escolar é fundamental para garantir um ambiente seguro, acolhedor e propício ao desenvolvimento emocional saudável”, afirma Eustáquio. Ele reforça que investir em saúde mental infantil é essencial para formar adultos mais resilientes e preparados.

Novos avanços na legislação e nas políticas públicas

Em resposta à escalada dos casos, a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4928/23, que garante o acesso de crianças e adolescentes a programas de saúde mental do SUS e a inclusão dessa oferta no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Na avaliação do especialista da Afya, a medida representa um passo fundamental para promover o cuidado contínuo e integral das novas gerações. “A saúde mental infantil merece a atenção de toda a sociedade, e políticas públicas consistentes são indispensáveis nesse cenário”, finaliza.