Cirurgia Oncológica

Por que algumas experiências traumáticas continuam afetando a vida cotidiana

Psicóloga explica como o transtorno se manifesta, quais sinais merecem atenção e quando procurar ajuda especializada

Por Redação Brazil Health , 06/06/2026

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Por que algumas experiências traumáticas continuam afetando a vida cotidiana

O Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) tem entrado com mais frequência no radar de profissionais de saúde mental diante do aumento de relatos associados a violência urbana, acidentes, abusos, perdas traumáticas e desastres naturais. A condição pode aparecer após situações extremas e afetar a rotina, os relacionamentos e a qualidade de vida.

Segundo a psicóloga clínica Sirlene Ferreira, o TEPT ainda é pouco compreendido por parte da população, o que contribui para que muitas pessoas convivam por anos com sintomas sem buscar atendimento. “O trauma não desaparece apenas porque o tempo passou. Muitas vezes, o corpo e a mente continuam reagindo como se o perigo ainda estivesse acontecendo”, afirma.

O que é TEPT e quais sinais merecem atenção

De acordo com a especialista, o transtorno pode se manifestar de formas diferentes. Entre os sinais mais comuns estão lembranças invasivas do evento traumático, pesadelos frequentes, hipervigilância, sensação permanente de ameaça, dificuldade de concentração e reações emocionais intensas diante de determinados estímulos.

Também pode haver evitação de lugares, pessoas ou situações que remetam ao episódio vivido. “Isso pode gerar ansiedade intensa, medo constante, irritabilidade, insônia, crises de pânico, isolamento social e sofrimento emocional significativo”, diz Sirlene.

Trauma não é fraqueza e pode se agravar sem suporte

A psicóloga ressalta que o TEPT não está ligado a “fraqueza emocional”, mas à forma como o cérebro reage a experiências extremas, com respostas que podem se manter mesmo quando o risco já passou. “Cada indivíduo responde ao trauma de maneira diferente”, afirma. Segundo ela, fatores emocionais, neurológicos, sociais e a rede de apoio disponível influenciam a evolução do quadro.

Ela observa ainda que o tema ganhou mais visibilidade após a pandemia, período marcado por aumento de queixas de ansiedade, luto traumático, violência doméstica e esgotamento emocional. Situações recorrentes de insegurança e pressão constante também podem intensificar sintomas em quem já viveu experiências traumáticas.

Crianças e adolescentes podem mostrar sinais no comportamento

Em crianças e adolescentes, o impacto pode aparecer de maneira menos verbal e mais comportamental, com irritabilidade, regressão emocional, piora do desempenho escolar e alterações no sono. “Muitas vezes, a criança não consegue verbalizar o que sente. O trauma aparece no comportamento, no medo excessivo, na dificuldade de socialização e até em sintomas físicos”, explica.

Para a psicóloga, ampliar o debate e reduzir o estigma são passos importantes para que mais pessoas procurem tratamento. “O acolhimento emocional, a escuta qualificada e o suporte psicológico fazem diferença no processo de recuperação”, conclui.