Cirurgia Oncológica

Mulheres respondem por 62% das compras de remédios para ansiedade e depressão no trabalho

Levantamento com mais de 1,1 milhão de trabalhadores em 274 empresas aponta que 8,3% compraram medicamentos para saúde mental em 2025 por programas corporativos; idosos lideram taxa de aquisição, e jovens mostram alta recente.

Por Redação Brazil Health , 20/03/2026

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Mulheres respondem por 62% das compras de remédios para ansiedade e depressão no trabalho

Mulheres respondem por 61,8% das compras de medicamentos para depressão e ansiedade feitas por trabalhadores em programas corporativos de subsídio a tratamentos de saúde. O dado faz parte de um levantamento da plataforma de benefícios Vidalink com informações de 1.105.107 colaboradores de 274 empresas brasileiras.

Segundo a análise, 8,3% dos trabalhadores adquiriram ao menos um medicamento relacionado à saúde mental em 2025 por meio desses programas, que podem cobrir parcial ou totalmente o custo dos remédios. O indicador chama atenção por retratar uma demanda que vem ganhando espaço no debate sobre condições de trabalho e bem-estar emocional.

Embora a base de beneficiários analisada seja próxima do equilíbrio entre homens (51,3%) e mulheres (48,7%), elas aparecem com maior participação nas compras de fármacos para ansiedade e depressão. Para especialistas, a diferença pode refletir tanto maior exposição a fatores de risco quanto maior procura por tratamento.

Para a psicóloga Karen Scavacini, doutora pela USP e fundadora do Instituto Vita Alere, parte da explicação está nas pressões dentro e fora do emprego. “Rotinas exaustivas, pressão por resultados e insegurança profissional contribuem para níveis elevados de estresse. Quando somamos isso à sobrecarga que muitas mulheres ainda enfrentam fora do trabalho, com responsabilidades familiares e sociais, o risco de ansiedade e depressão aumenta”, afirma. Ela acrescenta que “elas costumam buscar tratamento com mais frequência do que os homens”.

Diferenças entre gerações

O levantamento também aponta variações por faixa etária. A maior taxa de aquisição de medicamentos aparece entre pessoas da chamada Geração Silenciosa (nascidos até 1945), com 20,66%, seguida por Baby Boomers (13,59%), Geração X (11,7%), Millennials (8,97%) e Geração Z (4,48%).

Entre os mais jovens, porém, os números mostram crescimento recente: de 2024 para 2025, houve aumento de 7% no número de compradores e de 3,4% no volume de medicamentos adquiridos.

Saúde mental como tema de gestão

Na avaliação de Scavacini, a discussão precisa ir além da responsabilidade individual. “A saúde mental no trabalho não pode ser tratada apenas como uma responsabilidade individual. Ambientes com excesso de pressão, liderança inadequada ou falta de apoio estrutural ou emocional podem agravar quadros de estresse, ansiedade e esgotamento”, diz. Para ela, o caminho passa por “culturas organizacionais mais seguras do ponto de vista psicológico”.

Os dados reforçam que o tema tem impacto direto para trabalhadores e empregadores, ao indicar grupos com maior demanda por cuidado e a necessidade de ações que reduzam fatores de risco no cotidiano corporativo.