Cirurgia Oncológica

Fiocruz aponta piora na saúde mental de 55% da população LGBTQIA+

Levantamento indica alta de ansiedade e depressão e relaciona sofrimento psicológico a desemprego, queda de renda e insegurança alimentar, com impacto maior entre pessoas trans.

Por Redação Brazil Health , 17/06/2026

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Fiocruz aponta piora na saúde mental de 55% da população LGBTQIA+

Mais da metade da população LGBTQIA+ entrevistada em um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) relatou piora significativa na saúde mental. O dado ganha relevância no Mês do Orgulho, ao evidenciar que a visibilidade do tema não elimina condições sociais que continuam afetando o bem-estar desse grupo no Brasil.

De acordo com a pesquisa, 55% dos participantes disseram ter tido piora no bem-estar psicológico. Os números de diagnósticos também chamam atenção: 47,5% relataram ansiedade e 30% depressão, proporções apontadas no levantamento como acima da média observada na população geral.

Desemprego e queda de renda aparecem como fatores associados

O estudo também traz um recorte socioeconômico que ajuda a contextualizar o cenário. Quase 60% dos entrevistados informaram queda de renda. Além disso, 59,4% disseram estar desempregados há mais de um ano, uma condição que pode aumentar o estresse e reduzir o acesso a redes de apoio e cuidados em saúde.

Pessoas trans têm indicadores mais críticos

Entre pessoas trans, os indicadores descritos no levantamento são ainda mais preocupantes. O desemprego supera 20% e 56,8% relataram insegurança alimentar, mostrando que parte do sofrimento psicológico pode estar ligada à falta de condições básicas de vida.

Especialista aponta efeito cumulativo de exclusão e barreiras de cuidado

Para a psicóloga Karen Scavacini, formada pela USP, especialista em saúde mental e fundadora do Instituto Vita Alere, os dados sugerem uma combinação de fatores que não pode ser analisada de forma isolada. “Quando falamos de saúde mental nessa população, estamos falando de um conjunto de condições que se acumulam. Exclusão social, insegurança econômica e barreiras de acesso a cuidado acabam produzindo um nível de desgaste que não se explica por um único fator”, afirma.

O levantamento reforça a ideia de que saúde mental, renda e inserção no mercado de trabalho caminham juntas. Segundo os dados apresentados, a instabilidade econômica pode fragilizar redes de proteção e aumentar a exposição a estresse contínuo, contribuindo para um sofrimento que tende a se manter ao longo do tempo.