Cirurgia Oncológica

Cérebro do adolescente só amadurece perto dos 25 e muda a forma de educar

Entender como o cérebro se desenvolve ajuda a reduzir conflitos em casa e a transformar broncas em orientações mais eficazes durante a adolescência.

Por Redação Brazil Health , 14/07/2026

4 min de leitura

Cérebro do adolescente só amadurece perto dos 25 e muda a forma de educar

Os altos e baixos da adolescência não são apenas “fase” ou teimosia: têm relação direta com um cérebro que ainda está em construção. A psicóloga Mariza Souza explica que a neurociência vem ajudando pais e educadores a interpretar melhor atitudes impulsivas, oscilações emocionais e dificuldade de planejamento, abrindo espaço para uma educação mais firme e, ao mesmo tempo, mais empática.

Estudos sobre desenvolvimento cerebral indicam que a maturidade plena costuma chegar apenas por volta dos 25 anos. Isso significa que, durante boa parte da adolescência e início da vida adulta, habilidades como controlar emoções, pensar nas consequências e tomar decisões com mais ponderação ainda estão se consolidando.

Uma das áreas mais citadas pelos especialistas é o córtex pré-frontal, região ligada ao planejamento, ao autocontrole e à tomada de decisões. Como esse amadurecimento é gradual, é comum que adolescentes alternem momentos de grande lucidez com atitudes precipitadas, especialmente em situações de estresse, pressão do grupo ou intensa carga emocional.

O que muda na prática dentro de casa

No dia a dia, esse cenário costuma aparecer em uma queixa recorrente dos pais: a sensação de que é preciso repetir as mesmas orientações inúmeras vezes. Mariza Souza destaca que, diante de um cérebro em desenvolvimento, a repetição faz parte do processo educativo. “Educar filhos adolescentes envolve repetição de orientações e paciência, porque o cérebro ainda está amadurecendo”, afirma a psicóloga.

Outro ponto importante é que, nessa fase, o cérebro passa por um processo intenso de reorganização de conexões neurais, frequentemente descrito como uma “poda” que fortalece caminhos mais usados e descarta outros. A comparação ajuda a entender por que alguns aprendizados parecem “não fixar” de imediato e por que a consistência nas regras e combinados pode ser mais eficaz do que discursos longos e explosões de irritação.

Para a especialista, isso não significa abrir mão de limites. Significa tornar as correções mais objetivas e educativas, com foco em consequência e reparação, em vez de humilhação ou descontrole. Em situações simples, como quebrar um copo, a orientação é transformar o episódio em aprendizado: o adolescente pode limpar o que caiu e lidar com o resultado do que fez, compreendendo o impacto do ato sem ser reduzido a uma bronca desproporcional.

Erros, intensidade e a construção da vida adulta

Entre aproximadamente 13 e 26 anos, muitos jovens vivem suas experiências mais intensas e também cometem erros marcantes. Isso faz parte da fase de exploração e formação de identidade. Para os pais, o desafio é orientar com intencionalidade e evitar despejar frustrações acumuladas nos filhos, mantendo o diálogo e a previsibilidade das regras.

Também é comum que adolescentes expressem a sensação de “não pertencer” totalmente a lugar nenhum: não se sentem mais crianças, mas ainda não se percebem como adultos. Mariza Souza compara essa transição a estar “entre fronteiras” — uma vivência que pode gerar insegurança e conflitos, especialmente quando o próprio ambiente familiar reforça mensagens ambíguas sobre autonomia e responsabilidade.

A partir desse entendimento, a neurociência pode servir como guia para um tipo de educação emocional mais consistente: acolher a fase sem infantilizar, dar limites sem desqualificar e construir, aos poucos, a autonomia com responsabilidade.

No longo prazo, esse investimento tende a aparecer na qualidade do vínculo e na capacidade do jovem de sustentar escolhas mais maduras. Para a psicóloga, acompanhar o desenvolvimento com consciência é o que ajuda a criar uma base emocional mais sólida para a vida adulta — e torna a convivência menos marcada por choque e mais por aprendizado.