Cirurgia Geral

Primeiros mil dias influenciam saúde até a velhice, alertam pediatras

Da concepção aos 2 anos, fase é vista como janela de oportunidades para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional; SPSP reforça atenção à nutrição, aleitamento, rotina e telas

Por Redação Brazil Health , 24/02/2026

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Primeiros mil dias influenciam saúde até a velhice, alertam pediatras

O período que vai da concepção ao segundo aniversário concentra mudanças que podem influenciar a saúde, o aprendizado e o bem-estar por toda a vida, afirma a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), que promove a campanha Fevereiro Safira sobre os “primeiros mil dias”. Especialistas destacam que decisões nessa fase refletem da juventude ao envelhecimento.

Conhecidos como os 270 dias de gestação somados aos 730 dias pós-nascimento, os primeiros mil dias são apontados como uma fase decisiva para o cérebro e o corpo. “É nesse período que a criança vai desenvolver seu máximo potencial, que vai reverberar por toda a sua vida”, afirma a pediatra Alessandra Ribeiro.

Planejamento e cuidados antes e durante a gestação

Segundo a SPSP, a preparação ideal começa antes da gravidez, com avaliação de saúde e acompanhamento da mulher que pretende engravidar. A meta é oferecer um ambiente biológico adequado ao embrião e orientar a gestante sobre hábitos, exames e nutrição.

“Essa mãe precisa já ser acompanhada desde o momento em que ela é uma tentante para observar como está esse ambiente para esse futuro bebê se desenvolver”, esclarece Alessandra Ribeiro. A especialista ressalta que a suplementação orientada na gestação tem foco no desenvolvimento do sistema nervoso e na formação de reservas nutricionais do bebê.

Quando as necessidades da gestante são atendidas, o recém-nascido tende a ter um “estoque” para os primeiros meses, período em que o aleitamento materno deve ser exclusivo. “Quando a gestante foi devidamente suplementada, a gente não se preocupa em suplementar esse bebê a princípio”, diz a pediatra.

Alimentação no primeiro ano e risco da desinformação

A partir dos seis meses, com a introdução alimentar, a família precisa alinhar a oferta de alimentos à possível necessidade de suplementação, sempre com acompanhamento profissional. O primeiro ano é marcado por aceleração do desenvolvimento cerebral – por isso, a nutrição deve ir além de “matar a fome” e garantir os nutrientes que sustentam novas conexões neurais.

A busca por dicas rápidas em redes sociais preocupa pediatras, que veem risco de desinformação e aumento da ansiedade. “O importante é que a família esteja junto com o profissional de saúde que está cuidando do seu bebê, está cuidando dessa mãe, para que realmente esse cuidado seja horizontal”, aconselha Ribeiro.

Rotina, cuidado compartilhado e telas

O ambiente de cuidados também pesa no desenvolvimento. Com a volta ao trabalho e a divisão de tarefas entre cuidadores, creches e familiares, especialistas pedem alinhamento de rotinas, limites e regras – da alimentação ao sono.

“É preciso que todos os cuidadores estejam engajados sem burlar as regras estabelecidas para a saúde da criança”, alerta a pediatra. Entre os pontos de atenção, o uso de telas por bebês e crianças pequenas é citado como fator que pode prejudicar o desenvolvimento socioemocional e da linguagem.

Para a SPSP, respeitar o ritmo de cada criança – com vínculo, brincadeira, sono adequado e alimentação de qualidade – ajuda a construir bases sólidas para a vida adulta. Evitar pressões por desempenho na primeira infância, reforçam os especialistas, é investir em adultos mais saudáveis no futuro.