Cirurgia Geral

Primeiros mil dias de vida são decisivos para o futuro do bebê; veja como apoiar

Período que vai da gestação aos 2 anos concentra mudanças no cérebro e no corpo; especialistas explicam cuidados básicos e quando a massagem Shantala pode ajudar no vínculo e no conforto do recém-nascido.

Por Redação Brazil Health , 22/04/2026

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Primeiros mil dias de vida são decisivos para o futuro do bebê; veja como apoiar

Os primeiros mil dias de vida, da concepção até os dois anos de idade, são considerados um período-chave para o desenvolvimento infantil. É nessa fase que se formam bases importantes para a saúde física, a aprendizagem e o equilíbrio emocional, com efeitos que podem se estender até a vida adulta.

“É neste momento que há a oportunidade de atuar para o crescimento saudável de aspectos fisiológicos, cognitivos e emocionais da criança, que vão impactar até a sua vida adulta”, afirma a pediatra Glória Zenha, assessora técnica do Centro de Gerenciamento Integrado de Serviços de Saúde (CEGISS) do CEJAM.

Segundo a médica, o cérebro cresce rapidamente no início da vida e estabelece muitas conexões ligadas à linguagem, à capacidade de aprender e à regulação das emoções. Diretrizes de organismos como o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde apontam que uma base bem construída tende a repercutir no desempenho escolar e na saúde ao longo dos anos.

Vínculo, alimentação e rotina: o que faz diferença

Entre os pilares desse cuidado está o vínculo afetivo. “Interações frequentes, como segurar no colo, olhar nos olhos, responder ao choro e às expressões do bebê, fortalecem o sentimento de segurança”, diz Glória.

A alimentação também é central. A recomendação mais difundida por autoridades de saúde é o aleitamento materno exclusivo até os seis meses, com introdução alimentar adequada a partir daí e manutenção da amamentação de forma complementar até, pelo menos, os dois anos.

Além disso, atitudes do dia a dia podem favorecer o desenvolvimento, como conversar, cantar, ler histórias e permitir que o bebê explore o ambiente com segurança, mantendo uma rotina organizada. A pediatra alerta que a falta desses cuidados de maneira consistente pode estar associada a dificuldades de aprendizagem, problemas de comportamento e maior vulnerabilidade a doenças.

Shantala: quando o toque vira cuidado

Nos primeiros meses, o toque pode ser uma forma de acolhimento e estímulo. Uma das práticas usadas nesse contexto é a Shantala, técnica de massagem com origem indiana aplicada em bebês. “A técnica é uma massagem indiana para recém-nascidos, com movimentos lentos, suaves e rítmicos realizados com óleo em todo o corpo”, explica a enfermeira Nadiane Martins, da UBS Jardim São Bento, na capital paulista.

De acordo com a profissional, a prática pode ajudar a fortalecer o vínculo e a promover relaxamento. “Visa fortalecer o vínculo afetivo, promover relaxamento profundo, melhorar a qualidade do sono, aliviar cólicas e até congestão nasal”, afirma.

A orientação é que a técnica seja iniciada, em geral, após 30 dias de vida, em ambiente tranquilo, e com atenção aos sinais de conforto do bebê. Nadiane ressalta que a massagem deve ser evitada em situações como febre, doenças de pele, dor, logo após a alimentação ou quando o recém-nascido não estiver bem.

Apoio na atenção básica e acompanhamento contínuo

Em unidades básicas de saúde gerenciadas pelo CEJAM na zona sul de São Paulo, a Shantala é ensinada em encontros mensais e em grupos de gestantes, com demonstrações e prática supervisionada. A proposta, segundo Nadiane, é ampliar o cuidado para além das consultas e apoiar as famílias na rotina. “É uma forma de reduzir a vulnerabilidade ao adoecimento e trazer uma abordagem diferente do cuidado, com orientação, troca e apoio nesse processo de adaptação”, diz.

A iniciativa se conecta a uma linha de cuidado voltada ao acompanhamento de crianças e adolescentes, com foco em continuidade do atendimento. A supervisora técnica Gilcinete Barreto, responsável pelo acompanhamento das Linhas de Cuidado Integrais do CEJAM, explica que a ideia é evitar que a assistência aconteça apenas por demanda imediata e fortalecer ações programadas, como consultas de puericultura, vacinação e orientações sobre alimentação, além de escuta das famílias. “São criadas ações de promoção da saúde, prevenção de doenças e acompanhamento do desenvolvimento infantil, integrando diferentes profissionais da equipe de saúde para oferecer cuidado contínuo e qualificado”, afirma.

Para Glória, a participação da família é determinante para que orientações se transformem em prática. “Nosso objetivo é garantir um desenvolvimento físico, motor e cognitivo saudável, respeitando cada faixa etária”, conclui.