Medicina Intensiva

Copa: como evitar ressaca e exageros com cerveja, churrasco e petiscos

Em dias de jogo, álcool, frituras e ultraprocessados costumam subir no cardápio. Médico explica estratégias simples para reduzir desidratação, inchaço e desconforto sem abrir mão da confraternização.

Por Redação Brazil Health , 05/06/2026

4 min de leitura

Copa: como evitar ressaca e exageros com cerveja, churrasco e petiscos

Reuniões para assistir aos jogos, com cerveja, churrasco e petiscos, fazem parte da tradição de muitos brasileiros durante grandes campeonatos. O problema, segundo especialistas, é que a soma de álcool, frituras e produtos ultraprocessados em sequência pode aumentar o risco de ressaca, desidratação, inchaço e mal-estar gastrointestinal, além de pesar no consumo calórico.

Um levantamento da NielsenIQ sobre a última Copa do Mundo apontou que salgadinhos (53%), cerveja (44%) e churrasco (44%) estiveram entre os itens mais procurados para assistir às partidas. Para o médico Danilo Almeida, fundador da Clínica Versio, o impacto está menos em um alimento isolado e mais no padrão repetido ao longo dos jogos. “Quando existe excesso de álcool, sódio, frituras e alimentos muito calóricos em um curto espaço de tempo, o organismo tende a responder com retenção de líquido, piora da digestão, desconforto intestinal, queda de energia e até alterações no sono”, afirma.

Ele alerta que, quando o exagero se repete por vários dias, pode favorecer ganho de peso e piora de marcadores metabólicos. “Muitas vezes a pessoa passa dias seguidos repetindo esse padrão alimentar durante campeonatos e confraternizações. Quando isso acontece, existe um aumento importante no consumo calórico e de substâncias inflamatórias”, diz.

Álcool e muito sal: combinação que aumenta sede e mal-estar

A clássica mistura de cerveja com petiscos industrializados tende a concentrar sódio, gorduras e aditivos. Embutidos, salgadinhos, molhos prontos e frituras podem aumentar a retenção de líquidos e estimular mais sede, o que leva parte das pessoas a beber ainda mais.

“O álcool possui efeito diurético e favorece a desidratação. Quando ele é associado a alimentos muito salgados e gordurosos, o impacto tende a ser ainda maior”, explica Almeida. Segundo ele, a consequência pode aparecer no dia seguinte como dor de cabeça, fadiga, sensação de inchaço e desconforto gastrointestinal.

Trocas simples deixam a torcida mais leve

Para reduzir os efeitos sem transformar o jogo em “dieta”, o médico sugere ajustar escolhas e porções. Entre as alternativas, ele cita espetinhos de frango, pipoca com pouca gordura, sanduíches mais leves, mix de castanhas e opções com proteínas, que aumentam a saciedade.

“O problema não é o petisco, a bebida ou o momento de confraternização em si. O que pesa é o excesso e a repetição de escolhas muito industrializadas”, afirma. Ele também recomenda não passar o dia em jejum para “compensar” mais tarde. “Chegar com muita fome favorece exageros”, diz.

Jogos à noite exigem atenção com sono e digestão

Quando a partida acontece à noite, comer grandes volumes de alimentos gordurosos e beber perto da hora de dormir pode piorar a digestão, favorecer refluxo e reduzir a qualidade do sono. “Alimentos muito gordurosos, excesso de álcool e grandes volumes de comida antes de deitar costumam dificultar o processo digestivo e impactar diretamente o sono”, afirma Almeida.

Para quem quer atravessar o campeonato com menos desconforto, ele recomenda estratégias práticas:

  • Intercalar bebida alcoólica com água ao longo do jogo.
  • Trocar parte das frituras por preparações assadas ou opções mais leves, como pipoca com pouca gordura e sanduíches naturais.
  • Reduzir embutidos, salgadinhos e molhos prontos, ricos em sódio e aditivos.
  • Incluir fontes de proteína nos petiscos, como frango, ovos e queijos em porções moderadas.
  • Fazer refeições equilibradas antes da confraternização para evitar exageros.
  • Adicionar opções naturais à mesa, como frutas, legumes e castanhas.

Para o médico, a meta é tornar o consumo mais consciente, sem cortar totalmente os rituais da torcida. “O importante é entender que equilíbrio não significa restrição total, mas sim conseguir fazer escolhas mais conscientes na maior parte do tempo”, conclui.