Medicina Intensiva

Atividades do dia a dia podem reduzir em 19% o risco de morte precoce, diz estudo

Pesquisa publicada no BMJ Medicine associa variedade de movimentos, como caminhar e cuidar do jardim, a menor risco de morte e a melhorias no metabolismo já nas primeiras semanas.

Por Redação Brazil Health , 22/06/2026

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Atividades do dia a dia podem reduzir em 19% o risco de morte precoce, diz estudo

Praticar diferentes tipos de atividade física – e não apenas somar minutos de treino – pode estar ligado a uma redução de até 19% no risco de morte precoce. A conclusão é de um estudo da Harvard publicado no periódico BMJ Medicine, que analisou a relação entre a variedade de movimentos no cotidiano e desfechos de saúde.

O achado reforça o impacto do sedentarismo, considerado um dos principais fatores de risco para a saúde no mundo. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a falta de atividade física contribui para milhões de mortes todos os anos.

No Brasil, o cenário se soma ao avanço de doenças crônicas. Dados do Ministério da Saúde indicam aumento expressivo de diagnósticos como diabetes, hipertensão e obesidade nas últimas décadas, condições que estão entre as principais causas de complicações cardiovasculares.

Por que ficar muito tempo parado faz mal

Segundo especialistas, longos períodos de inatividade alteram o funcionamento do organismo: prejudicam o controle do açúcar no sangue, favorecem a resistência à insulina e dificultam a metabolização de gorduras. Com isso, glicose e lipídios tendem a permanecer mais tempo circulando, o que pode contribuir para o endurecimento das artérias e elevar o risco de infarto e AVC.

“O sedentarismo é hoje um dos principais fatores de risco porque favorece o surgimento de outras condições, como obesidade, colesterol elevado e diabetes”, afirma o médico do esporte Paulo Zogaib, do Hospital Sírio-Libanês. Ele explica que, de forma geral, é considerado sedentário quem tem um gasto semanal com atividade física abaixo de mil calorias.

Além do risco aumentado, o controle dessas doenças nem sempre é simples. Levantamentos da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que apenas uma parcela menor da população consegue manter, ao mesmo tempo, pressão arterial e glicemia dentro de metas adequadas, o que aumenta a chance de complicações ao longo do tempo.

Benefícios aparecem nas primeiras semanas

A boa notícia, segundo Zogaib, é que o corpo costuma responder rápido quando a rotina fica mais ativa. “Logo nas primeiras semanas, há melhora no controle da pressão arterial, maior eficiência no uso da glicose, redução do colesterol LDL e ganho na circulação sanguínea”, diz.

Embora recomendações internacionais sugiram cerca de 150 minutos semanais de atividade moderada, ele alerta que a expectativa de um “padrão ideal” pode atrapalhar a adesão. “O erro está em tentar encaixar um padrão ideal na vida real. O importante é adaptar a atividade ao indivíduo. Quando a pessoa começa com uma carga muito intensa, ela não sustenta e acaba abandonando”, afirma.

Como colocar mais movimento na rotina

O especialista afirma que não é obrigatório ir à academia para reduzir o tempo sentado e aumentar o gasto energético. Entre estratégias simples para o dia a dia, ele recomenda:

  • Caminhar em deslocamentos curtos, como para resolver tarefas perto de casa
  • Substituir elevador por escadas para fortalecer pernas e glúteos
  • Pedalar ou dançar com regularidade para melhorar o condicionamento e a coordenação
  • Manter tarefas domésticas ativas, como organizar ambientes e limpar a casa
  • Levantar-se ao menos uma vez a cada 60 minutos para reduzir os efeitos de ficar muito tempo sentado