Geriatria

Tontura pode ser sinal de problema sério; veja quando procurar atendimento urgente

Campanha nacional entre 20 e 26 de abril chama atenção para causas além do labirinto, como alterações metabólicas, e alerta para sinais que podem indicar urgência.

Por Redação Brazil Health , 23/04/2026

4 min de leitura

Tontura pode ser sinal de problema sério; veja quando procurar atendimento urgente

Sentir tontura é uma queixa frequente, mas nem sempre inofensiva. O sintoma pode ter origem em diferentes sistemas do corpo e, em alguns casos, indicar condições que exigem avaliação médica imediata, especialmente quando aparece de forma súbita ou vem acompanhado de outros sinais.

O tema ganha destaque na Semana da Tontura 2026, realizada de 20 a 26 de abril pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) e pela Academia Brasileira de Otoneurologia (ABON). A campanha deste ano chama atenção para a relação entre tontura e alterações no metabolismo, além de reforçar a importância de investigar a causa.

Segundo a otorrinolaringologista e otoneurologista Naiana Rocha Arcanjo, do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), há situações em que esperar pode ser arriscado. “Quando surge de forma súbita, intensa ou diferente do habitual, ou vem acompanhada de sintomas como fraqueza, dormência, dificuldade para falar, visão dupla, perda de consciência ou dor de cabeça forte, é fundamental procurar atendimento com urgência”, afirma.

Nem toda tontura é labirinto

Embora muitas pessoas associem o problema diretamente ao ouvido interno, a tontura pode ter outras origens. “Nem sempre o problema está restrito ao labirinto. Sinais como alteração na coordenação, palpitações, sensação de desmaio ou episódios ligados ao estresse podem indicar causas neurológicas, cardíacas, metabólicas ou emocionais”, diz a médica. De acordo com ela, também é possível haver mais de um fator ao mesmo tempo, o que pode demandar acompanhamento com diferentes especialistas.

Ela lembra que “tontura” é um termo amplo e que há diferenças importantes entre sensações parecidas. “Tontura é um conceito amplo, que engloba várias sensações. Já a vertigem é quando há percepção de giro, enquanto o desequilíbrio está relacionado à dificuldade de se manter em pé ou caminhar”, explica.

Automedicação pode atrasar o diagnóstico

Outro alerta da especialista é sobre tentar resolver o quadro por conta própria. “Um erro comum é usar medicamentos sem orientação, acreditando que tudo se resume à ‘labirintite’”, afirma. Para ela, ignorar sinais associados ou buscar soluções sem avaliação profissional pode mascarar doenças e atrasar o tratamento correto.

Além do desconforto, a tontura pode trazer riscos objetivos, sobretudo para idosos. “Sem o cuidado correto, há risco de quedas, fraturas e acidentes, especialmente entre pessoas mais velhas. Isso compromete diretamente a segurança e a qualidade de vida”, diz.

Como é feita a investigação e o tratamento

A avaliação costuma começar pela conversa detalhada sobre quando o sintoma aparece, sua duração e fatores que pioram ou melhoram, seguida de exame físico e testes específicos. “O diagnóstico é feito a partir da história do paciente, exame físico e testes específicos. Em alguns casos, solicitamos audiometria, exames vestibulares, laboratoriais ou de imagem, mas nenhum deles, isoladamente, confirma a causa”, afirma Arcanjo.

Hábitos de vida também podem influenciar. “Estresse, ansiedade, noites mal dormidas, alimentação inadequada, sedentarismo e consumo excessivo de cafeína ou álcool podem desencadear ou agravar os episódios”, ressalta.

O tratamento varia conforme o diagnóstico e pode incluir medicamentos, manobras específicas, reabilitação vestibular e mudanças no estilo de vida. “Podemos utilizar medicamentos, realizar manobras específicas, indicar reabilitação vestibular e orientar mudanças no estilo de vida. Tudo depende da causa identificada”, afirma.

Para a médica, a principal mensagem da campanha é não normalizar o sintoma. “Tontura tem causa, diagnóstico e tratamento. O mais importante é não banalizar, evitar automedicação e buscar avaliação adequada”, conclui.