Acupuntura

Síndrome do túnel do carpo cresce com uso de computador e celular; saiba identificar

Horas no computador, celular nas mãos e poucos intervalos ajudam a explicar o aumento das queixas. O ortopedista Bruno Azevedo Veronesi alerta que o problema tem várias causas e que identificar cedo evita perda de força e sensibilidade.

Por Redação Brazil Health, 23/07/2026

4 min de leitura

Síndrome do túnel do carpo cresce com uso de computador e celular; saiba identificar

O formigamento que aparece à noite, a mão que “adormece” e a sensação de choque nos dedos podem parecer algo passageiro, mas também são sinais típicos da síndrome do túnel do carpo — uma das condições mais comuns que afetam mãos e punhos, cada vez mais relatada por quem passa o dia entre teclado e celular.

O ortopedista Bruno Azevedo Veronesi, especialista em cirurgia da mão, explica que a síndrome acontece quando o nervo mediano é comprimido ao passar por um canal estreito no punho, conhecido como túnel do carpo. “Esse nervo é responsável pela sensibilidade do polegar, do indicador, do dedo médio e de parte do anelar. Quando há aumento de pressão no local, ele deixa de funcionar bem”, afirma.

Além do nervo, o túnel do carpo também abriga tendões que participam do movimento dos dedos. Quando esse espaço fica “apertado”, surgem os sintomas — que tendem a evoluir se não forem avaliados.

Os sinais que costumam aparecer primeiro

O começo, em geral, é sutil. A queixa mais frequente é formigamento ou dormência nos dedos, principalmente à noite. Muita gente acorda com a mão dormente e precisa sacudi-la para aliviar o desconforto.

Com o passar do tempo, o problema pode incomodar também durante o dia, em tarefas simples como segurar o celular, dirigir ou até ler um livro. Em fases mais avançadas, pode surgir fraqueza, dificuldade para segurar objetos e perda de destreza fina.

“Reconhecer os sinais precocemente é fundamental, porque quanto antes o diagnóstico é feito, maiores são as chances de controlar o quadro sem cirurgia”, destaca Veronesi.

Trabalho moderno tem culpa? Nem sempre sozinho

Embora o aumento do uso de computador e celular ajude a colocar o tema em evidência, a síndrome do túnel do carpo não costuma ter uma única causa. Trata-se de uma condição multifatorial.

Movimentos repetitivos, uso de força manual e posturas inadequadas do punho podem elevar o risco e agravar sintomas — especialmente em rotinas com poucas pausas. Ainda assim, esses fatores geralmente não explicam o quadro sozinhos.

Entre as condições que também podem contribuir para o problema estão diabetes, hipotireoidismo, obesidade, gravidez e alterações inflamatórias.

O risco de ignorar o formigamento

Deixar o problema “para depois” pode custar caro. A compressão contínua do nervo pode levar à piora progressiva e, com o tempo, causar perda permanente de sensibilidade e força na mão.

Nos casos avançados, pode ocorrer atrofia da musculatura na base do polegar, prejudicando ações do dia a dia como segurar uma chave ou abotoar uma camisa. “Nessa fase, mesmo com tratamento, a recuperação pode ser apenas parcial”, alerta o especialista.

Tratamento: o que pode ser feito e quando a cirurgia entra no plano

A maioria dos casos responde bem ao tratamento, principalmente quando o diagnóstico é feito cedo. As opções iniciais incluem mudanças na rotina e medidas para reduzir a sobrecarga do punho.

  • Ajustes nas atividades do dia a dia
  • Uso de órteses à noite
  • Fisioterapia e terapia ocupacional
  • Infiltrações para reduzir a inflamação

Quando o tratamento conservador não resolve, a cirurgia pode ser indicada para aliviar a pressão sobre o nervo, com a liberação do ligamento que forma o “teto” do túnel do carpo. Segundo Veronesi, técnicas minimamente invasivas vêm permitindo recuperação mais rápida e retorno precoce às atividades. “Em muitos casos, os sintomas melhoram já nos primeiros dias após o procedimento”, afirma.

Prevenção passa por pausas e ergonomia

Para quem vive conectado e passa longos períodos usando as mãos, pequenas atitudes podem ajudar: pausas regulares, alongamentos e atenção à ergonomia no trabalho. A ideia, reforça o médico, é não esperar a limitação aparecer para agir. “Mais do que tratar, o objetivo é preservar a função das mãos, essenciais para a independência e a qualidade de vida”, conclui.