Acupuntura

Lesões graves tiram craques da Copa e expõem limite físico no futebol atual

Casos de Rodrygo, Depay, Estêvão e Éder Militão envolvem joelho e coxa, com afastamentos que podem ir de semanas a meses e reacendem debate sobre calendário e sobrecarga.

Por Redação Brazil Health , 03/05/2026

4 min de leitura

Lesões graves tiram craques da Copa e expõem limite físico no futebol atual

A poucas semanas da Copa do Mundo, lesões importantes em jogadores como Rodrygo, Memphis Depay, Estêvão e Éder Militão voltaram a chamar atenção para um tema incômodo no futebol de elite: o quanto o corpo do atleta consegue suportar a intensidade do jogo moderno.

Para o ortopedista Pedro Debieux Vargas Silva, a sequência de baixas não é mera coincidência. “As exigências físicas intensas, com aceleração máxima, mudanças bruscas de direção e sobrecarga contínua, colocam o atleta constantemente no limite”, afirma.

Embora os diagnósticos sejam diferentes, os episódios têm um ponto em comum: todos envolvem estruturas decisivas para desempenho, potência e estabilidade — e exigem decisões rápidas sobre tratamento e tempo de retorno para reduzir o risco de novas lesões.

Quatro lesões, quatro impactos diferentes

No caso de Rodrygo, o problema foi no joelho: ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) associada a lesão de menisco. Segundo Pedro Debieux, é uma combinação temida no esporte. “O LCA é essencial para a estabilidade do joelho, e o menisco funciona como um amortecedor da articulação”, explica. Situações assim costumam acontecer em movimentos de rotação com o pé fixo no chão — padrão comum em dribles, giros e disputas de bola.

Quando há comprometimento dessas estruturas, a cirurgia tende a ser necessária, e o retorno aos gramados geralmente leva de seis a nove meses, dependendo da evolução da reabilitação.

Já Memphis Depay sofreu uma lesão muscular grau 2 na parte anterior da coxa, no quadríceps — uma ruptura parcial de fibras musculares, frequente em arrancadas e chutes de alta intensidade. O tempo médio de recuperação fica entre três e seis semanas, mas o especialista alerta para o principal perigo nesse tipo de caso: “O risco de recidiva é alto se o retorno for precoce”, destaca.

O quadro de Estêvão é descrito como mais grave: ruptura de grau 4 da musculatura posterior da coxa. Esse tipo de lesão costuma envolver dano extenso das fibras e pode atingir o tendão, o que muda o cenário. “Quando o tendão está envolvido, deixa de ser apenas uma lesão muscular e passa a exigir uma abordagem mais complexa, frequentemente com indicação cirúrgica”, afirma Pedro Debieux. Nesses casos, a recuperação pode levar meses, com reabilitação rigorosa e recondicionamento antes da volta.

Éder Militão, por sua vez, teve ruptura do tendão proximal do bíceps femoral, um dos principais músculos da parte de trás da coxa. É uma lesão considerada complexa por comprometer força, estabilidade e potência. O tratamento muitas vezes inclui cirurgia, seguida de um período prolongado de recuperação e ganho de condicionamento.

Por que tantas lesões?

O aumento da intensidade das partidas e um calendário cada vez mais apertado aparecem como fatores centrais para esse cenário, somados à fadiga acumulada e a uma recuperação nem sempre suficiente entre jogos e treinos. Aspectos individuais, como características biomecânicas de cada atleta, também influenciam.

Há ainda diferenças importantes entre tipos de lesão. As ligamentares, como a de Rodrygo, costumam estar ligadas a torções e episódios de instabilidade articular. Já as lesões musculares e tendíneas, como as de Depay, Estêvão e Militão, têm relação mais direta com sobrecarga, cansaço e esforços explosivos.

Diagnóstico e tratamento exigem precisão

Para definir a gravidade e o melhor caminho de tratamento, exames de imagem são decisivos — com destaque para a ressonância magnética, que detalha a extensão da lesão e ajuda a orientar conduta.

De forma geral, o tratamento varia conforme a gravidade:

  • Lesões leves e moderadas: fisioterapia e fortalecimento progressivo;
  • Lesões graves: frequentemente cirúrgicas, seguidas de reabilitação prolongada.

A volta ao esporte, porém, não depende apenas de “cicatrizar”. É necessário recuperar força, mobilidade e segurança para executar gestos do jogo em alta intensidade, reduzindo o risco de recaída.

Para Pedro Debieux, os casos recentes funcionam como aviso. “O desafio hoje não é só tratar, mas antecipar as lesões”, alerta. Isso envolve controle de carga, preparação física individualizada e atenção aos sinais do corpo — em um futebol no qual atuar bem passou a exigir, antes de tudo, conseguir estar em campo.