Oftalmologia

Excesso de telas aumenta queixas de olhos secos e cansaço visual, alerta oftalmologista

Uso prolongado de celular e computador pode causar ardência, visão embaçada e dor de cabeça; em crianças, rotina mais “indoor” tem impulsionado a miopia.

Por Redação Brazil Health, 28/07/2026

4 min de leitura

Excesso de telas aumenta queixas de olhos secos e cansaço visual, alerta oftalmologista

Trabalhar, estudar e se divertir diante de telas virou rotina, mas o preço pode aparecer nos olhos. Sintomas como ardência, sensação de areia, ressecamento, visão embaçada e dor de cabeça têm se tornado cada vez mais comuns, principalmente após longos períodos no computador ou no celular.

A oftalmologista Renata Alves afirma que esse conjunto de sinais é frequente em consultórios e está ligado ao que especialistas chamam de Síndrome da Visão Computacional. “Quando ficamos concentrados nas telas, piscamos menos, e isso reduz a lubrificação natural dos olhos, favorecendo o ressecamento e o desconforto”, explica.

Além do olho seco, o esforço contínuo para enxergar de perto pode sobrecarregar o sistema de foco, dificultando a transição entre ver de perto e de longe e aumentando a sensação de peso nos olhos e as cefaleias.

Pequenas mudanças que ajudam no dia a dia

Para aliviar o cansaço visual, uma recomendação prática é adotar pausas regulares. Renata Alves destaca a regra 20-20-20: “A cada 20 minutos, olhar por 20 segundos para um ponto a cerca de 6 metros de distância ajuda a relaxar o foco e reduzir o esforço acumulado”.

Outros ajustes podem contribuir para o conforto:

  • manter o monitor a uma distância confortável;
  • posicionar a tela levemente abaixo da linha dos olhos;
  • ajustar o brilho de acordo com a iluminação do ambiente;
  • lembrar de piscar com mais frequência, especialmente em tarefas que exigem concentração.

Quando o cansaço deixa de ser “normal”

Embora muita gente trate esses sintomas como parte inevitável da vida moderna, a persistência dos sinais merece atenção. Visão embaçada ao alternar entre perto e longe, ardência recorrente, sensibilidade à luz, desconforto ocular frequente e dores de cabeça repetidas são motivos para avaliação especializada.

Em alguns casos, as queixas não se limitam ao esforço diante das telas e podem estar associadas a alterações de grau, síndrome do olho seco ou outras condições. “A consulta oftalmológica não se resume a prescrever óculos. Ela avalia a saúde ocular como um todo, incluindo a qualidade da lágrima e o exame detalhado das estruturas dos olhos”, afirma a médica.

O acompanhamento periódico também é importante para rastrear doenças que podem avançar sem sintomas nas fases iniciais, como o glaucoma, o que torna o diagnóstico precoce uma das principais formas de evitar perdas permanentes.

Miopia infantil preocupa especialistas

Se adultos já sentem os efeitos do uso excessivo de telas, entre crianças e adolescentes o alerta é ainda maior. O aumento da miopia infantil tem sido observado em diversos países e é associado a mudanças de hábito: mais tempo em atividades de perto e menos horas ao ar livre.

Segundo Renata Alves, a exposição à luz natural tem papel importante no desenvolvimento saudável dos olhos. “Quando a criança passa menos tempo fora de casa, aumenta o risco de o olho crescer de forma inadequada, favorecendo o aparecimento e a progressão da miopia”, explica.

A orientação, nesse cenário, é buscar equilíbrio entre telas e atividades externas. Brincadeiras ao ar livre, esportes e momentos de lazer fora de ambientes fechados são medidas simples que ajudam a proteger a saúde visual desde cedo e podem reduzir o risco de complicações associadas à alta miopia, como descolamento de retina, glaucoma e alterações na região central da visão.

No fim, o desafio não é abandonar a tecnologia, mas aprender a usá-la com mais consciência. Pausas, ajustes no ambiente, tempo adequado fora de casa e acompanhamento oftalmológico podem fazer diferença para manter a visão nítida e confortável em um cotidiano cada vez mais conectado.