Radioterapia

Dor no rosto e na mandíbula pode ficar anos sem diagnóstico, alerta especialista

Condições como disfunção na articulação da mandíbula, bruxismo e dor muscular podem afetar sono, mastigação e saúde emocional; identificação correta é decisiva para o tratamento.

Por Redação Brazil Health , 23/06/2026

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Dor no rosto e na mandíbula pode ficar anos sem diagnóstico, alerta especialista

A dor crônica é um dos principais desafios da saúde moderna e afeta a rotina de milhões de pessoas, com impacto no sono, na alimentação, no trabalho e no bem-estar emocional. Dentro desse cenário, um grupo de queixas ainda é frequentemente subdiagnosticado: as dores persistentes na face, na mandíbula e na articulação que liga a mandíbula ao crânio.

Essas dores podem estar relacionadas a diferentes causas, como disfunções na articulação temporomandibular (DTM), bruxismo, dores musculares na face e quadros de origem neuropática. Apesar de potencialmente incapacitantes, muitos pacientes passam longos períodos sem entender o que está por trás dos sintomas.

Segundo o cirurgião-dentista Nivaldo Vanni, especialista em dor orofacial e saúde bucal, é comum que pessoas procurem atendimento por anos antes de chegar a um diagnóstico. “É comum encontrarmos pessoas que convivem durante muito tempo com dores na face, na mandíbula, dores de cabeça frequentes, desconforto muscular e dificuldades para mastigar ou dormir sem receber um diagnóstico preciso”, afirma.

Quando a dor vai além do físico

Além da limitação funcional, as dores orofaciais crônicas costumam se associar a ansiedade, estresse e piora da qualidade de vida. A relação entre dor persistente e saúde mental tem ganhado espaço nas pesquisas, reforçando a necessidade de uma avaliação mais ampla do paciente.

“A dor persistente não afeta apenas uma região específica do corpo. Ela interfere em diversos aspectos da vida do indivíduo. Por isso, o tratamento exige uma visão multidisciplinar e centrada na pessoa”, diz Vanni.

Novas linhas de pesquisa e foco no diagnóstico

Nos últimos anos, estudos têm avançado na compreensão dos mecanismos biológicos envolvidos na percepção da dor e em sistemas do organismo ligados à modulação de inflamação e dor, como o sistema endocanabinoide. Esse movimento tem ampliado o debate sobre novas estratégias de manejo para pacientes com dor persistente.

Para o especialista, porém, o ponto central continua sendo identificar a origem do problema e definir um plano individualizado. “Cada paciente apresenta características clínicas próprias. O mais importante é compreender a origem da dor, avaliar os fatores envolvidos e construir estratégias baseadas em evidências científicas e acompanhamento profissional adequado”, afirma.

Odontologia também pode investigar dor crônica

Vanni destaca que a odontologia tem papel crescente no reconhecimento e no acompanhamento de dores crônicas relacionadas à face e à mandíbula, embora muita gente ainda associe o dentista apenas ao cuidado com os dentes. “A população associa a odontologia principalmente aos dentes. Mas hoje sabemos que a saúde bucal está profundamente conectada ao bem-estar geral, ao sono, à saúde mental e à qualidade de vida”, diz.

Com o envelhecimento da população, o aumento de transtornos ligados ao estresse e a busca por cuidados mais personalizados, especialistas avaliam que o tema deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos, especialmente na integração entre odontologia e outras áreas da saúde.