Obesidade

Gene da obesidade existe? Entenda o papel do DNA e do estilo de vida

Pesquisas mostram que variações no DNA elevam o risco de ganho de peso, mas hábitos podem neutralizar boa parte desse impacto

Por Redação Brazil Health , 05/11/2025

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Gene da obesidade existe? Entenda o papel do DNA e do estilo de vida

Mais de quatro em cada dez adultos no mundo estavam acima do peso em 2022, e 16% viviam com obesidade, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, a tendência é de alta contínua, impulsionada por mudanças no padrão alimentar e no sedentarismo.

Em meio a esse cenário, um protagonista ganhou espaço nos estudos: o chamado “gene da obesidade”, conhecido como FTO. Identificado em análises que correlacionam variações genéticas com o índice de massa corporal, ele passou a ser visto como um dos marcadores mais robustos de predisposição ao ganho de peso.

“Esse achado revolucionou a prática médica: de repente, não se tratava apenas de comer menos e mexer-se mais, mas de reconhecer que a predisposição genética pode alterar de modo significativo o apetite e o controle cerebral da fome, mecanismos mediados pelo sistema nervoso central”, afirma o geneticista Gustavo Guida, dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa.

Estudos mostram que pessoas com duas cópias da variante de risco do FTO podem pesar de 3 a 4 quilos a mais e ter até 67% mais chance de desenvolver obesidade do que quem não carrega essa alteração. Há trabalhos que apontam aumento de risco próximo de 50% mesmo com uma única cópia.

O que a ciência já sabe

De acordo com o médico geneticista Ricardo Di Lazaro, cofundador da Genera, da Dasa, o FTO atua além do apetite: ele influencia a formação de células de gordura e tem expressão em áreas do cérebro ligadas ao controle da alimentação. Ou seja, mexe em vias biológicas que ajudam a explicar por que algumas pessoas sentem mais fome ou saciedade tardia.

Ainda assim, o impacto do FTO não é igual em todo o planeta. Em populações asiáticas e da Polinésia, por exemplo, a associação entre suas variantes e ganho de peso é fraca ou ausente, sinal de que ambiente, cultura e hábitos alimentares modulam fortemente o efeito do gene.

Mito do destino genético

Ter uma variante associada à obesidade não define o futuro. Segundo Di Lazaro, a genética explica parte importante do quadro — algo entre 40% e 60% —, mas está longe de ser uma sentença. O FTO é apenas um dos vários genes envolvidos e não age isoladamente.

O estilo de vida tem poder para atenuar ou potencializar a predisposição. Rotina ativa, alimentação equilibrada e acompanhamento profissional reduzem de forma significativa o impacto das variantes ligadas ao ganho de peso.

O que fazer na prática

Para quem tem histórico familiar de obesidade, vale redobrar a atenção: priorizar alimentos in natura, ajustar porções, manter regularidade do sono e evitar longos períodos sentado. Atividade física aeróbica e de força, somadas, ajudam a controlar o apetite e a preservar massa magra, fatores cruciais no balanço energético.

Testes genéticos podem indicar predisposições, mas não substituem avaliação clínica. Na dúvida, converse com um médico ou nutricionista para personalizar metas e estratégias — especialmente se houver outras condições, como diabetes, hipertensão ou distúrbios da tireoide.

No fim das contas, o “gene da obesidade” é mito e verdade ao mesmo tempo: existe, pesa na balança, mas não determina sozinho o resultado. Como resume Guida, reconhecer a genética é parte do caminho; a outra parte é criar um ambiente que favoreça escolhas saudáveis no dia a dia.