Melatonina

Melatonina ajuda a dormir, mas excesso pode piorar o sono, alerta especialista

Uso sem orientação pode bagunçar o relógio biológico e causar sonolência diurna; veja quando usar

Por Redação Brazil Health , 07/11/2025

3 min de leitura

Melatonina ajuda a dormir, mas excesso pode piorar o sono, alerta especialista

Popularizada como “pílula do sono”, a melatonina pode ser útil, mas não é solução para todos os casos. O farmacêutico Lincoln Cardoso, coordenador do curso de Farmácia da Faculdade Anhanguera, explica quando a suplementação faz sentido e por que o exagero traz riscos.

O sono é guiado pelo ciclo circadiano, regulado por um “relógio biológico” no cérebro que responde à luz e à escuridão. “Esse ciclo é regulado pelo nosso ‘relógio biológico’ e responde aos estímulos de luz e escuridão”, afirma Cardoso.

À noite, o organismo produz melatonina, hormônio que sinaliza a hora de desacelerar. “Com a redução da luz, o organismo começa a produzir melatonina, que é essencial para induzir o sono”, diz o especialista. Segundo ele, a substância também apresenta ação antioxidante, imunomoduladora e neuroprotetora.

Quando o sono falha por longos períodos, o corpo sente: caem a atenção e a memória, e aumentam os riscos para o coração, o humor e a imunidade. Baixos níveis de melatonina podem contribuir para esse quadro.

Quando a suplementação faz sentido

Em alguns casos, como em idosos, trabalhadores noturnos e pessoas com jet lag, suplementar pode ajudar a reencaixar o relógio interno. “Nessas situações, a melatonina pode ajudar a regular o ciclo do sono e melhorar a qualidade do descanso”, explica Cardoso.

Mesmo assim, o especialista ressalta que o produto não substitui hábitos saudáveis nem deve ser usado como “atalho”. A dose e o horário de tomada devem ser definidos por um profissional de saúde, caso a caso.

Riscos do uso em excesso

Automedicação e doses altas podem piorar o problema. “Doses excessivas podem levar à desregulação do ciclo circadiano, causando insônia de rebote, sonolência diurna e dependência psicológica da suplementação”, alerta o farmacêutico.

Ele acrescenta que o excesso pode interferir na tireoide, afetar neurotransmissores e impactar o sistema imunológico. “Há ainda o risco de agravar transtornos do humor, como ansiedade e depressão, e, em alguns casos, aumentar a possibilidade de síndrome serotoninérgica em pacientes que utilizam antidepressivos”, reforça.

Pessoas em tratamento médico devem conversar com o médico ou farmacêutico antes de iniciar qualquer suplemento para evitar interações e efeitos indesejados.

Como dormir melhor sem remédios

Antes de recorrer a cápsulas, investir na higiene do sono costuma trazer resultados consistentes. Cardoso recomenda:

  • Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana.
  • Reduzir luzes e telas à noite e evitar estímulos intensos perto da hora de dormir.
  • Preparar um quarto escuro, silencioso e confortável, favorecendo o relaxamento.

Em caso de dificuldade persistente para dormir, procure orientação. “O uso de melatonina deve ser orientado por um profissional de saúde qualificado”, conclui Cardoso.