Radiologia e Diagnóstico por Imagem

5 mitos sobre a vacina da gripe que aumentam o risco de doença e internações

Com a campanha de imunização em andamento, especialistas alertam que boatos sobre reações e segurança afastam pessoas da vacina e podem agravar o impacto da influenza, sobretudo entre idosos, crianças e quem tem doenças crônicas.

Por Redação Brazil Health , 02/06/2026

5 min de leitura

5 mitos sobre a vacina da gripe que aumentam o risco de doença e internações

Com a intensificação das campanhas de vacinação, volta a circular nas redes sociais uma onda de desinformação sobre imunizantes. Em comunicado recente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou que as vacinas aprovadas no país passam por avaliação de segurança e eficácia e desmentiu boatos, incluindo informações falsas sobre a vacina contra a gripe.

Para infectologistas, o problema não é novo, mas segue atual: conteúdos curtos e alarmistas se espalham rapidamente e geram dúvidas justamente quando a prevenção é mais necessária. “Os conteúdos mudam de formato, mas seguem a mesma lógica: misturam termos científicos reais, interpretações erradas e frases alarmistas. O resultado é dúvida justamente quando a prevenção mais importa”, afirma a infectologista Maria Isabel de Moraes-Pinto, coordenadora em vacinas da Dasa.

A seguir, especialistas explicam cinco mitos frequentes e por que eles não se sustentam.

  • Vacina da gripe não causa gripe

Uma das alegações mais repetidas é que a imunização provoca a própria doença. Segundo os médicos, isso não ocorre porque as vacinas usadas contra a influenza no Brasil são feitas com vírus inativados ou apenas com partes do vírus, incapazes de se multiplicar no organismo.

O que pode aparecer após a aplicação são reações esperadas, como dor no local, cansaço e febre baixa por pouco tempo. “A vacina não provoca gripe porque não contém vírus capaz de se replicar. Muitas vezes, a pessoa já estava incubando outro vírus respiratório ou interpreta uma reação leve como doença”, explica Maria Isabel de Moraes-Pinto.

  • Componentes são usados em doses controladas e avaliadas

Outra linha comum de boatos usa nomes químicos para sugerir risco. Um exemplo é o timerosal, conservante presente em algumas apresentações multidoses para reduzir contaminação após a abertura do frasco. De acordo com a Anvisa, quando utilizado, o componente respeita limites considerados seguros e é acompanhado por órgãos regulatórios.

“É comum usar nomes complexos para causar alarme, mas toda substância presente nas vacinas tem função específica, quantidade controlada e avaliação rigorosa. Segurança se mede por evidência científica”, diz o infectologista Guenael Freire, do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica.

  • Vacinas não são liberadas sem testes e continuam sendo monitoradas

Especialistas também rebatem a ideia de que imunizantes “chegam rápido demais ao mercado”. Eles explicam que o processo inclui pesquisa, estudos clínicos, análise regulatória, inspeções e controle de qualidade, além de vigilância após o início do uso para investigar eventos adversos notificados.

“Poucos produtos de saúde passam por tantas etapas de validação quanto as vacinas. Além dos estudos clínicos, existe controle de fabricação e monitoramento permanente após o uso em larga escala”, afirma a infectologista Rosana Richtmann.

  • A vacina contra a gripe precisa ser tomada todo ano

Diferentemente de outras vacinas, a da influenza é atualizada anualmente porque o vírus muda com frequência. Por isso, ter se vacinado no ano anterior não garante a mesma proteção na temporada seguinte.

O alerta é relevante diante do aumento de casos graves associados à influenza, especialmente em grupos mais vulneráveis. “A dose anual não é repetição desnecessária. Ela acompanha a mudança do vírus e atualiza a proteção da população diante das cepas que realmente estão circulando naquele momento”, diz o infectologista Alberto Chebabo.

  • Gripe pode ser grave, principalmente em grupos de risco

Tratar a influenza como um problema “simples” é outro equívoco recorrente. Embora muitos quadros sejam leves, a doença pode evoluir com complicações, como pneumonia, descompensação de condições cardíacas e respiratórias e necessidade de internação. Idosos, crianças pequenas, gestantes, pessoas com comorbidades e imunossuprimidos estão entre os mais suscetíveis.

“Quando se banaliza a gripe, ignora-se seu potencial de gravidade. Todos os anos vemos internações e descompensação de doenças pré-existentes que poderiam ser reduzidas com vacinação adequada”, afirma Maria Isabel de Moraes-Pinto.

Os médicos também destacam que testes laboratoriais podem ajudar a diferenciar influenza de outras infecções respiratórias e orientar o tratamento, sobretudo nos pacientes de maior risco. “A confirmação da influenza por meio de testes laboratoriais permite diferenciar a gripe de outras infecções respiratórias com sintomas semelhantes e possibilita a indicação mais assertiva de antivirais”, afirma Annelise Correa Wengerkievicz Lopes, patologista clínica e diretora médica do Laboratório Santa Luzia.

Para reduzir o impacto da desinformação, a recomendação é buscar fontes oficiais, como Anvisa e Ministério da Saúde, além de sociedades médicas. “Vacinar-se é uma escolha que protege o indivíduo e reduz a circulação do vírus na comunidade. Quanto maior a cobertura, menor o impacto da doença nos serviços de saúde e nos grupos vulneráveis”, conclui Rosana Richtmann.