Fisiatria

Gordura no fígado atinge 30% do mundo e costuma evoluir sem sintomas

No Dia Mundial do Fígado (19/4), especialistas alertam para relação com excesso de peso, sedentarismo e dieta rica em ultraprocessados; exames simples ajudam a identificar o problema antes de complicações.

Por Redação Brazil Health , 20/04/2026

4 min de leitura

Gordura no fígado atinge 30% do mundo e costuma evoluir sem sintomas

A chamada gordura no fígado, nome popular da Doença Hepática Esteatótica Metabólica (MASLD), já afeta cerca de 30% da população mundial, segundo estimativas citadas por entidades internacionais de saúde. O problema preocupa por evoluir de forma silenciosa e, sem controle, aumentar o risco de fibrose, cirrose e câncer de fígado.

No Brasil, a condição é cercada por desinformação e baixa procura por diagnóstico. Pesquisa do Instituto Datafolha em parceria com a Novo Nordisk aponta que 62% dos brasileiros dizem estar preocupados com a gordura no fígado, mas 61% nunca fizeram exames ou não sabem como identificar a doença. Apenas 7% relatam ter recebido diagnóstico formal.

“É uma condição que muitas vezes não dá sinais no início, mas que pode ter consequências sérias ao longo do tempo. O mais preocupante é que ela está diretamente ligada ao nosso estilo de vida, principalmente à alimentação e ao sedentarismo”, afirma a hepatologista Patrícia Almeida, membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela USP.

O que a alimentação tem a ver com o problema

O fígado participa do metabolismo, da produção de proteínas e da eliminação de substâncias tóxicas, somando centenas de funções no organismo. Mesmo assim, alterações no órgão costumam passar despercebidas até que exames ou sintomas de fases mais avançadas chamem a atenção.

Em 2024, o Dia Mundial do Fígado adota o tema “Alimento é Remédio”, com foco no papel da dieta na prevenção e no controle das doenças hepáticas. “Cada escolha alimentar tem impacto direto no fígado. Dietas ricas em ultraprocessados, açúcar e gordura saturada favorecem o acúmulo de gordura no órgão. Por outro lado, uma alimentação equilibrada pode não só prevenir como ajudar a reverter o quadro nos estágios iniciais”, diz Almeida.

Segundo a especialista, a redução de 5% a 10% do peso corporal pode melhorar a função hepática, especialmente em pessoas com sobrepeso ou obesidade. Entre os padrões alimentares frequentemente recomendados, ela cita a dieta mediterrânea, baseada em alimentos in natura, vegetais, peixes e gorduras consideradas mais saudáveis. “Quando falamos que alimento é remédio, estamos falando de ciência. A alimentação tem um papel terapêutico real. Não é só prevenção, é parte do tratamento”, afirma.

Por que tanta gente não descobre

O levantamento mencionado também indica a presença de fatores de risco comuns na população, como excesso de peso e consumo frequente de álcool, além de baixa intenção de buscar um especialista após um eventual diagnóstico. Para a hepatologista, isso ajuda a explicar por que a doença continua subdiagnosticada.

“Muitas pessoas só descobrem quando a doença já está avançada. Por isso, exames simples e acompanhamento médico são fundamentais, principalmente para quem tem fatores de risco como obesidade, diabetes ou consumo frequente de álcool”, afirma Almeida.

O que pode ajudar no dia a dia

Embora hábitos alimentares dependam também de condições sociais e econômicas, mudanças graduais podem reduzir o risco de progressão da doença. Entre as medidas apontadas por especialistas estão diminuir o consumo de açúcar, evitar ultraprocessados, manter atividade física regular e procurar orientação profissional para avaliação e acompanhamento.

“O cuidado com o fígado não deve acontecer só em abril. Ele precisa ser diário. Quanto antes começamos, maiores são as chances de evitar complicações no futuro”, conclui a hepatologista.