Psiquiatria

Frio pode piorar sintomas da menopausa e afetar sono, humor e dores no corpo

Oscilações de temperatura, clima seco e menos sol no outono e no inverno podem intensificar desconfortos comuns do climatério, como fogachos, ressecamento e irritabilidade, segundo ginecologista.

Por Redação Brazil Health , 27/05/2026

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Frio pode piorar sintomas da menopausa e afetar sono, humor e dores no corpo

Com a chegada dos dias frios, algumas mulheres percebem uma piora de sintomas da menopausa que vão além das ondas de calor. Queixas como insônia, alterações de humor, ressecamento da pele e da região íntima e dores nas articulações tendem a ficar mais evidentes nesta época do ano, com impacto na rotina e na qualidade de vida.

Segundo a ginecologista Daniella Campos, diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho, as mudanças típicas do outono – manhãs frias, tardes mais quentes e noites geladas – podem aumentar o desconforto em mulheres no climatério e na menopausa. Ela explica que a combinação entre clima mais seco, menor exposição solar e variações bruscas de temperatura pode acentuar sintomas físicos e emocionais, embora a intensidade dessa relação varie de pessoa para pessoa e ainda seja discutida pela literatura científica.

Temperatura instável pode intensificar fogachos e suor noturno

Durante a menopausa, a queda do estrogênio interfere em diversas funções do organismo, incluindo a regulação da temperatura corporal. Com isso, o corpo pode reagir de forma mais sensível às mudanças de clima.

“O corpo da mulher na menopausa já apresenta uma sensibilidade maior às alterações de temperatura. Nessa época do ano, é comum observarmos piora dos fogachos, mais episódios de suor noturno e desconforto térmico, principalmente durante a madrugada”, afirma Campos.

Ela acrescenta que alguns fatores do dia a dia podem funcionar como gatilhos, como ambientes fechados, excesso de roupas e banhos muito quentes.

Sono, pele e região íntima também sofrem no outono e no inverno

As noites mais frias e longas podem agravar a dificuldade para dormir, comum nessa fase. A médica diz que, além das alterações hormonais, a menor exposição ao sol pode influenciar substâncias relacionadas ao sono e ao humor, como melatonina e serotonina.

“Muitas pacientes relatam que começam a dormir pior justamente quando chegam os dias frios. Os fogachos noturnos interrompem o sono e isso gera um efeito em cascata, afetando energia, concentração, humor e disposição ao longo do dia”, relata.

O clima seco e os banhos quentes também favorecem o ressecamento da pele e das mucosas. Na região íntima, a baixa lubrificação pode causar ardência, coceira, desconforto e dor nas relações sexuais. “O ressecamento íntimo tende a ficar mais evidente no outono e no inverno. Muitas mulheres sentem mais desconforto nessa fase, mas acabam não procurando ajuda por acreditarem que é algo natural da idade”, alerta a ginecologista.

Dores articulares e impacto emocional podem aumentar

Outra queixa frequente é o aumento da sensação de rigidez e de dor em articulações como joelhos, mãos, coluna e quadris. Campos afirma que o frio pode intensificar dores já existentes, embora os mecanismos dessa relação ainda não estejam totalmente esclarecidos e as evidências sobre piora sazonal sejam limitadas.

Além do desconforto físico, a combinação de menos sol e sono irregular pode favorecer irritabilidade, ansiedade, desânimo e oscilações de humor.

Para reduzir os impactos no período frio, especialistas costumam recomendar medidas de rotina, como atividade física regular, hidratação adequada, evitar banhos excessivamente quentes, buscar exposição solar diária, manter alimentação equilibrada e reduzir álcool e cafeína. O acompanhamento ginecológico é indicado para avaliar sintomas e discutir opções de tratamento – incluindo, em alguns casos, terapia hormonal, após avaliação individual.

“A menopausa não deve ser encarada como um período de sofrimento inevitável. Hoje existem recursos considerados seguros quando bem indicados e individualizados, capazes de aliviar sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida da mulher em qualquer estação do ano”, conclui Campos.