Psiquiatria

Como falar sobre menstruação com filhas e adolescentes sem tabu

Ginecologista explica quando iniciar o diálogo, quais sinais antecedem a primeira menstruação e como orientar sobre higiene, ciclo e mudanças emocionais para evitar medo e vergonha.

Por Redação Brazil Health , 03/07/2026

3 min de leitura

Como falar sobre menstruação com filhas e adolescentes sem tabu

A primeira menstruação costuma marcar uma etapa importante do desenvolvimento, mas ainda é cercada de silêncio em muitas famílias. Para a ginecologista Loreta Canivilo, conversar com naturalidade antes da menarca ajuda a reduzir ansiedade, fortalecer a autoestima e preparar a menina para entender o próprio corpo.

Segundo a médica, o tema pode ser introduzido ainda na infância, com explicações simples e adequadas à idade. “O ideal é que as meninas recebam informações básicas sobre o corpo e o ciclo menstrual antes mesmo da menarca, para que esse momento não seja cercado de medo ou vergonha”, afirma.

Ela acrescenta que, em geral, a conversa pode começar por volta dos 8 ou 9 anos, observando sinais de maturação e respeitando o tempo de cada criança.

Sinais de que a menarca pode estar próxima

Algumas mudanças corporais costumam anteceder a primeira menstruação, como crescimento das mamas, aparecimento de pelos pubianos, variações de humor e corrimento vaginal transparente. A menarca ocorre, com mais frequência, entre 10 e 14 anos, mas a idade pode variar.

O básico sobre o ciclo menstrual

Entender como o ciclo funciona também faz parte da preparação. “Ele é contado a partir do primeiro dia da menstruação até o dia anterior à próxima. Em média, dura 28 dias, mas pode variar entre 21 e 35 dias”, explica Canivilo. De acordo com ela, conhecer essas mudanças ajuda a diferenciar o que é esperado do que pode exigir avaliação médica.

Orientação prática e acolhimento no dia a dia

Para evitar insegurança quando a menstruação chegar, a ginecologista sugere que responsáveis deixem itens de higiene disponíveis e conversem, sem constrangimento, sobre como usar absorventes e manter a higiene íntima. “É importante mostrar, na prática, como usar o absorvente. Explique que ele deve ser colocado centralizado na calcinha e trocado a cada três a quatro horas, ou sempre que estiver úmido”, orienta.

A médica defende que a menstruação não seja tratada como algo a esconder. “Ensine sua filha que não há motivo para sentir vergonha ao carregar um absorvente na mochila ou pedir um item de higiene no banheiro. Isso é cuidado, não constrangimento”, diz.

Além das dúvidas sobre o corpo, ela recomenda abrir espaço para falar sobre cólicas, inchaço, irritabilidade e mudanças de humor. “Tudo isso é normal, e é importante que as meninas saibam que podem falar sobre isso com confiança”, afirma.

Canivilo também sugere evitar mensagens que reforçam tabu e desinformação, como impedir o assunto em público ou tratá-lo como “coisa de mulher”. Para ela, envolver a família, incluindo pais e irmãos, contribui para um ambiente de acolhimento. “Quando os homens da casa se informam e acolhem, ajudamos a construir uma sociedade que respeita a saúde feminina e combate o machismo estrutural presente até mesmo em temas íntimos como a menstruação”, conclui.