Ortopedia e Traumatologia

Vacinação após os 60 ganha força e ajuda a prevenir internações e perda de autonomia

Com a queda natural da imunidade ao envelhecer, vacinas reduzem casos graves de gripe, pneumonia e Covid-19. Especialistas alertam que baixa adesão e desinformação ainda dificultam a proteção.

Por Redação Brazil Health , 13/07/2026

4 min de leitura

Vacinação após os 60 ganha força e ajuda a prevenir internações e perda de autonomia

A vacinação na terceira idade tem ganhado espaço como uma das principais estratégias para envelhecer com mais segurança. Com o avanço da expectativa de vida no Brasil, manter a caderneta em dia deixou de ser um cuidado “de infância” e passou a ser uma medida direta para preservar qualidade de vida, independência e funcionalidade.

A geriatra Julianne Pessequillo explica que o organismo muda com o tempo e, depois dos 60 anos, o sistema imunológico tende a responder de forma menos eficiente a vírus e bactérias. “Esse envelhecimento da imunidade torna o idoso mais vulnerável a infecções e complicações”, afirma.

Na prática, isso significa que quadros aparentemente simples podem se agravar mais rápido nessa faixa etária. Além disso, a recuperação costuma ser mais lenta e alguns sintomas podem aparecer de forma menos típica, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento.

Mesmo com essa redução da resposta imunológica, as vacinas continuam sendo recomendadas. O objetivo vai além de evitar a infecção: a imunização também diminui a chance de evolução para formas graves e reduz o risco de hospitalizações prolongadas e de perda de autonomia.

“Muitas pessoas acham que a vacina não funciona mais no idoso, mas ela segue sendo importante porque estimula mecanismos de defesa e ajuda, principalmente, a evitar desfechos graves”, destaca a médica.

Quais vacinas são mais importantes depois dos 60

O calendário vacinal para idosos inclui imunizantes que ajudam a prevenir complicações respiratórias, infecções bacterianas e doenças que podem causar dor intensa e limitações. Parte dessas vacinas é oferecida gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, e outras podem ser recomendadas conforme histórico e condições clínicas.

  • Influenza (gripe): dose anual, com impacto na redução de complicações respiratórias e descompensação de doenças crônicas.
  • Pneumocócicas: proteção contra infecções pelo pneumococo, como pneumonia e meningite; o esquema varia conforme a situação clínica.
  • dT ou dTpa: prevenção de difteria, tétano e coqueluche, com reforço indicado a cada 10 anos.
  • Covid-19: doses de reforço seguem relevantes para reduzir internações e mortalidade em idosos.
  • Herpes-zóster: indicada para reduzir o risco de complicações do “cobreiro”, como a neuralgia pós-herpética, que pode ser muito dolorosa.
  • Hepatite B: recomendada para quem não foi vacinado, independentemente da idade, sobretudo diante de maior frequência de procedimentos de saúde.

Baixa cobertura e mitos ainda atrapalham

Apesar da disponibilidade de vacinas e do histórico de segurança e eficácia, a adesão ainda está abaixo das metas recomendadas pelas autoridades de saúde. Um exemplo citado por especialistas é a vacinação contra influenza, que vem ficando aquém do objetivo de cobertura de 90% há vários anos.

Entre os fatores que ajudam a explicar o cenário estão a circulação de informações falsas, dúvidas sobre segurança e mitos persistentes. Julianne Pessequillo alerta que crenças como “vacina enfraquece a imunidade”, “não vale mais a pena vacinar quando envelhece” ou “a vacina causa a doença” não têm respaldo científico. “Essas ideias afastam as pessoas de uma medida simples que salva vidas”, afirma.

Também pesam dificuldades práticas do dia a dia, como locomoção, falta de acompanhante, filas, horários restritos nas unidades e ausência de orientação adequada sobre quais doses tomar e quando atualizar.

Para a médica, a recomendação é tratar a imunização como parte da rotina de cuidados na terceira idade. “Atualizar a caderneta vacinal é uma forma objetiva de proteger a saúde, manter a autonomia e favorecer um envelhecimento mais saudável”, conclui.