Angiologia e Cirurgia Vascular

Balão gástrico ainda é opção com remédios como Mounjaro e Ozempic?

Com a popularização de medicamentos como semaglutida e tirzepatida, especialistas dizem que o balão intragástrico segue indicado em situações específicas e pode até ser combinado ao tratamento medicamentoso, desde que haja avaliação médica e mudanças de hábitos.

Por Redação Brazil Health , 16/07/2026

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Balão gástrico ainda é opção com remédios como Mounjaro e Ozempic?

A chegada de medicamentos usados no tratamento da obesidade, como semaglutida e tirzepatida, mudou a rotina de consultórios e influenciou a busca por procedimentos para perda de peso. Com isso, uma pergunta passou a ser recorrente: ainda vale a pena colocar balão gástrico?

Para a gastroenterologista e endoscopista Patrícia Naufal, a resposta depende do perfil do paciente e do objetivo terapêutico. “Hoje não existe uma disputa entre balão e medicamentos. São estratégias diferentes, que podem ser utilizadas de forma isolada ou até combinadas, dependendo das características e dos objetivos de cada paciente”, afirma.

O balão intragástrico é um dispositivo colocado no estômago por endoscopia para ocupar espaço e ajudar na sensação de saciedade. Por não ser uma cirurgia, costuma ter recuperação mais rápida, mas exige acompanhamento e adesão às orientações de saúde para manter resultados.

Quando o balão ainda é indicado

Segundo a especialista, o procedimento pode ser considerado para pessoas com sobrepeso ou obesidade que não obtiveram resultados apenas com mudanças no estilo de vida e que não têm indicação, não desejam ou apresentam contraindicações para cirurgia. Também pode ser uma estratégia para quem precisa reduzir peso antes de outras operações, como cirurgias ortopédicas ou mesmo bariátrica, diminuindo riscos do ato cirúrgico.

“O mais importante é entender que não existe um tratamento único para todos. A escolha depende do grau de obesidade, das doenças associadas, do histórico do paciente e da sua capacidade de aderir ao tratamento”, diz Naufal.

Combinar estratégias pode ajudar a evitar reganho

Uma mudança nos últimos anos é o uso combinado de abordagens. Em determinados casos, medicamentos podem ser indicados antes, durante ou após o período do balão, com o objetivo de potencializar a perda de peso e reduzir a chance de recuperar quilos após a retirada do dispositivo.

“O tratamento da obesidade deve ser encarado como um cuidado contínuo. Hoje dispomos de diferentes ferramentas, e muitas vezes a melhor estratégia é justamente associá-las, sempre com acompanhamento médico”, afirma a médica.

Limites do procedimento e necessidade de avaliação

Apesar de ajudar no controle de apetite, o balão não substitui mudanças de rotina. “O balão é uma ferramenta. Sem mudanças na alimentação, prática de atividade física e acompanhamento multiprofissional, o paciente pode recuperar parte do peso após sua retirada”, alerta Naufal.

A especialista reforça que o procedimento não é indicado para todos e precisa de avaliação médica para identificar contraindicações e definir a estratégia mais segura. Ela acrescenta que novas gerações de balões, com diferentes volumes e tempos de permanência, ampliaram a possibilidade de personalizar o tratamento conforme o perfil clínico.

Para Naufal, a principal mensagem é que obesidade é uma doença crônica e geralmente exige plano de longo prazo, com escolhas individualizadas. “A obesidade é uma doença crônica. Quanto mais opções terapêuticas tivermos, maiores são as chances de oferecer um tratamento eficaz, seguro e sustentável para cada paciente”, conclui.