Ansiedade e estresse podem mexer com o intestino e piorar dor e diarreia
Especialistas explicam como a comunicação entre cérebro e sistema digestivo pode desencadear sintomas e alertam: mudanças persistentes no hábito intestinal precisam de avaliação médica.
Por Redação Brazil Health , 07/07/2026
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Alterações intestinais em períodos de nervosismo, como dor abdominal, diarreia ou prisão de ventre, não são apenas coincidência. Gastroenterologistas da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) chamam atenção para a ligação entre cérebro e sistema digestivo, chamada de eixo cérebro–intestino, que pode influenciar diretamente o funcionamento do trato gastrointestinal.
De acordo com a entidade, o intestino tem uma rede própria de neurônios e mantém comunicação constante com o sistema nervoso central. Isso ajuda a explicar por que situações de ansiedade e estresse podem se manifestar com sintomas físicos, inclusive no abdômen.
“O intestino e o cérebro estão conectados por uma via de comunicação permanente. Quando passamos por situações de ansiedade ou estresse, o organismo libera substâncias que podem alterar os movimentos intestinais, aumentar a sensibilidade abdominal e desencadear sintomas digestivos”, afirma o gastroenterologista Américo de Oliveira Silvério, da FBG.
Entre as queixas mais comuns estão dor e desconforto abdominal, sensação de inchaço, excesso de gases, náuseas, episódios de diarreia e constipação. Em algumas pessoas, os sinais aparecem apenas em momentos de tensão; em outras, se tornam frequentes e passam a afetar a rotina.
Quando pode ser síndrome do intestino irritável
Uma das condições mais relacionadas a essa interação é a síndrome do intestino irritável (SII), caracterizada por dor abdominal recorrente acompanhada de mudanças no hábito intestinal. Segundo o especialista, fatores emocionais não explicam tudo, mas podem piorar quadros já existentes ou precipitar crises.
“A ansiedade e o estresse não são as únicas causas da SII, mas podem funcionar como gatilhos para o surgimento ou agravamento dos sintomas. Por isso, é importante que a avaliação do paciente considere não apenas aspectos físicos, mas também fatores emocionais”, diz Silvério.
Microbiota intestinal também entra na equação
Pesquisas recentes vêm investigando ainda o papel da microbiota intestinal – conjunto de microrganismos que vivem naturalmente no intestino – nessa comunicação com o cérebro. A hipótese é que esse ecossistema participe de uma via de mão dupla, influenciando tanto a saúde digestiva quanto aspectos do bem-estar.
“Os estudos tem demonstrado que a microbiota participa ativamente nessa interação complexa entre saúde digestiva e bem-estar emocional. Ainda há muito a ser pesquisado, mas os avanços nessa área têm ampliado nossa compreensão sobre o funcionamento do organismo”, afirma o gastroenterologista.
Quando procurar ajuda
A FBG orienta que sintomas intestinais persistentes não devem ser ignorados. Mudanças recorrentes, especialmente quando acompanhadas de dor, desconforto e impacto na qualidade de vida, exigem avaliação médica para investigação e definição do diagnóstico.
“Nem toda alteração intestinal está relacionada apenas à alimentação. O funcionamento do intestino é influenciado por diversos fatores, incluindo aspectos emocionais e a microbiota intestinal. Por isso, uma avaliação completa é fundamental para identificar a origem dos sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente”, conclui Silvério.