Medicina do Esporte

Quedas em idosos: por que não são normais e como reduzir o risco em casa e na rua

No Dia Mundial de Prevenção de Quedas, especialistas alertam que a maioria dos episódios tem causas identificáveis e pode ser evitada com avaliação de saúde, adaptação do ambiente e exercícios.

Por Redação Brazil Health , 19/06/2026

4 min de leitura

Quedas em idosos: por que não são normais e como reduzir o risco em casa e na rua

Quedas estão entre os eventos mais comuns e perigosos para pessoas idosas e podem levar a perda de independência, internações prolongadas e morte. No Dia Mundial de Prevenção de Quedas, em 24 de junho, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP) reforça que cair não deve ser encarado como algo “natural” do envelhecimento e que medidas simples podem reduzir o risco.

Números do Ministério da Saúde apontam a dimensão do problema. Nos quatro primeiros meses de 2025, foram registradas cerca de 62 mil internações de idosos após quedas e mais de 67 mil atendimentos ambulatoriais. Em 2024, houve mais de 344 mil atendimentos ou hospitalizações relacionados a esse tipo de acidente e 13.385 mortes de idosos por ferimentos decorrentes de quedas.

Para a SBGG-SP, a prevenção precisa começar antes do primeiro episódio. “Na maioria das vezes, a queda é apenas a consequência visível de alterações que vêm se desenvolvendo ao longo do tempo, como perda de força muscular, comprometimento do equilíbrio, uso de múltiplos medicamentos, alterações visuais, doenças crônicas, redução da mobilidade e presença de riscos no ambiente”, afirma Caroline Saladini, fisioterapeuta e diretora da entidade.

O risco aumenta com a idade: estimativas do Ministério da Saúde indicam que cerca de 30% das pessoas com 65 anos ou mais caem ao menos uma vez por ano. A partir dos 80 anos, esse percentual pode chegar a 50%. E mais de 70% das quedas acontecem dentro de casa, em ambientes familiares como banheiro, quarto, corredor e cozinha.

Queda não é um evento isolado

Nem toda queda resulta em fratura, mas toda queda deve ser levada a sério. Além de lesões como fraturas de fêmur e traumatismo craniano, o episódio pode desencadear medo de cair novamente, reduzir a autonomia e limitar a participação social.

Segundo Saladini, investigar a causa é parte central da prevenção. “Quando uma pessoa idosa cai, é preciso investigar por que aquilo aconteceu. Foi tontura? Fraqueza? Alteração de pressão? Tropeço? Iluminação ruim? Uso de medicamento que causa sonolência? Cada resposta muda a estratégia de prevenção”, explica.

O que pode ser feito dentro de casa

Medidas de segurança no ambiente e acompanhamento de saúde costumam ter impacto direto na redução do risco. Especialistas citam adaptações como melhorar a iluminação, retirar obstáculos das áreas de passagem e instalar apoios no banheiro, além de revisar medicações e avaliar visão e audição.

Entre as ações recomendadas, estão:

  • manter corredores e banheiros bem iluminados;
  • evitar tapetes soltos e pisos escorregadios;
  • instalar barras de apoio no banheiro;
  • organizar móveis e retirar fios e objetos do caminho;
  • usar calçados fechados e antiderrapantes;
  • revisar periodicamente os medicamentos com o médico de referência;
  • manter consultas de visão e audição em dia;
  • evitar levantar-se rapidamente, especialmente ao acordar.

Exercício e cidades mais seguras também entram na conta

A SBGG-SP destaca que atividade física orientada, com foco em força, equilíbrio e flexibilidade, ajuda a diminuir o risco de quedas e a manter a autonomia. “Muitas famílias, por medo, acabam limitando demais a movimentação da pessoa idosa. Mas restringir não protege. Pelo contrário, a falta de movimento pode aumentar fraqueza, insegurança e risco de novos acidentes. O caminho é promover mobilidade com segurança”, afirma Saladini.

Além do ambiente doméstico, a entidade chama atenção para riscos nas cidades – como calçadas irregulares, falta de rampas e iluminação pública insuficiente – que aumentam a vulnerabilidade, principalmente com o crescimento acelerado da população idosa no Brasil.

Para os especialistas, a recomendação é buscar avaliação profissional após qualquer queda, mesmo sem ferimentos aparentes, para identificar causas e ajustar o plano de prevenção.