Dor no pescoço e na lombar no fim do dia: alongar alivia, mas pode não resolver
Fisioterapeuta explica por que o incômodo no fim do expediente costuma estar ligado à sobrecarga e à falta de variação de movimento, e aponta sinais de alerta para quem sente dor com frequência.
Por Redação Brazil Health , 17/07/2026
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Sentir dor no pescoço, nos ombros ou na lombar ao final do dia é uma queixa comum, especialmente entre pessoas que passam horas na mesma posição ou repetem os mesmos movimentos. Embora o alongamento possa trazer alívio rápido, ele nem sempre corrige o motivo que levou ao desconforto.
Segundo a fisioterapeuta Mariana Milazzotto, o incômodo costuma aparecer quando a demanda do dia diminui e a tensão acumulada fica mais perceptível. “O corpo vai se sustentar como consegue durante o dia. Quando a demanda diminui, a tensão fica mais evidente. É nesse momento que a dor costuma aparecer”, afirma.
O tema é relevante porque a dor musculoesquelética é um problema frequente e pode limitar a rotina. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que essas condições afetam cerca de 1,71 bilhão de pessoas no mundo. A dor lombar, isoladamente, atingiu 619 milhões em 2020, com projeção de chegar a 843 milhões até 2050.
Por que a dor aparece no fim do expediente
De acordo com a especialista, o desconforto do fim do dia geralmente está associado a sobrecarga postural, esforço repetitivo e longos períodos sentado ou com pouca variação de movimento. Nesse cenário, alongar pode reduzir a sensação de rigidez, mas não necessariamente muda o padrão que gerou a dor.
“Se uma pessoa passou o dia todo com sobrecarga postural, usando a musculatura de forma repetitiva ou permanecendo tempo demais sentada, o alongamento pode aliviar, mas não corrige sozinho o padrão que gerou o problema”, diz Milazzotto.
Alongamento nem sempre é a única resposta
A fisioterapeuta explica que nem toda dor está ligada à ideia de “músculo encurtado”. Fraqueza muscular, compensações posturais, falta de mobilidade e dificuldade de controle do movimento também podem contribuir para o quadro.
“Nem toda dor é falta de alongamentos. Às vezes, o corpo está exigindo força, pausa, ajuste e melhor distribuição de carga”, afirma.
Sinais de alerta e o que fazer no dia a dia
Entre os sinais de que a sobrecarga pode estar se acumulando estão pescoço “travado”, ombros elevados, incômodo ao levantar da cadeira e dor que piora ao longo da semana. Para a especialista, o risco é normalizar o problema. “Muita gente acha que sentir dor no fim do dia é normal. Mas não é”, diz.
Ela orienta que o alongamento pode fazer parte da rotina, mas deve vir acompanhado de outras medidas, como pausas curtas ao longo do dia, alternância de posições, fortalecimento muscular, melhora da mobilidade e ajustes de ergonomia.
“Se a dor aparece todo dia no fim do expediente, se volta sempre no mesmo lugar ou se piora ao longo da semana, vale investigar o que está sobrecarregando o corpo. Às vezes, o que uma pessoa precisa não é de mais alongamentos, e sim de reorganizar a forma como se move e sustenta a rotina”, conclui.