Fígado

Cansaço que não passa pode ser sinal de doença rara do fígado, alertam especialistas

História de paciente mostra como a fadiga persistente levou ao diagnóstico de uma doença autoimune e reforça a importância de investigar o fígado.

Por Redação Brazil Health , 06/11/2025

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Cansaço que não passa pode ser sinal de doença rara do fígado, alertam especialistas

Um cansaço que não melhora com o descanso acendeu o sinal de alerta na vida de Célia Recupero, 65 anos. O que parecia estresse virou uma longa investigação até o diagnóstico de uma doença rara do fígado.

"Levantar da cama para atender o telefone ou ver um filme com meus filhos era um grande desafio. Eu sentia um cansaço mortal", lembra Célia, que inicialmente atribuiu os sintomas à rotina agitada e até cogitou depressão.

A virada veio após um exame de sangue pedido pelo dentista indicar alteração em enzimas do fígado. Depois de uma bateria de testes e um ano de incertezas, uma biópsia confirmou a colangite biliar primária (CBP), doença autoimune e progressiva que atinge os pequenos canais por onde passa a bile.

Com acompanhamento especializado, Célia conseguiu controlar a doença. "Tive acesso a médicos e tratamento eficaz, o que me devolveu qualidade de vida", diz.

Sinal de alerta que persiste

A hepatologista Débora Terrabuio explica que, na CBP, o sistema de defesa do corpo ataca os ductos biliares dentro do fígado, o que pode causar inflamação, acúmulo de bile, cicatrizes e, sem cuidado, evoluir para cirrose. "O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e transplante", afirma.

Segundo a médica, a fadiga é um dos sintomas mais frequentes e incapacitantes, atingindo a maioria dos pacientes. "Diferentemente do cansaço comum, ela é intensa, persistente e não melhora com descanso", ressalta.

Quando a fadiga vem acompanhada de coceira, olhos e boca secos, alterações em exames do fígado ou histórico de doenças autoimunes, a orientação é procurar avaliação médica para investigar problemas hepáticos.

Quem está mais exposto e como diagnosticar

A CBP é considerada rara: afeta cerca de 1,7 pessoa a cada 100 mil por ano no mundo e é mais comum em mulheres. A causa exata é desconhecida, mas pode envolver fatores genéticos, idade e ambiente, como exposição a certas substâncias químicas, infecções urinárias e alterações da microbiota intestinal.

O diagnóstico costuma combinar exames de sangue que avaliam o fígado e anticorpos específicos, testes de imagem e, em alguns casos, biópsia para confirmar a doença e seu estágio.

Tratamento e acesso

Embora não tenha cura, a CBP tem tratamento que ajuda a controlar a inflamação, preservar a função do fígado e reduzir sintomas, com acompanhamento regular do hepatologista.

Entre as opções, está o elafibranor, aprovado pela Anvisa. "É um agonista PPAR de nova geração que amplia o arsenal terapêutico, mas ainda não está disponível no SUS para essa indicação", diz Terrabuio.

Para a paciente, identificar a doença fez toda a diferença. "A CBP trouxe desafios, mas hoje consigo tocar a vida. O importante é não ignorar um cansaço que não passa e buscar ajuda", conclui.