Energético

Energético com álcool aumenta risco ao coração e mascara embriaguez

Mistura popular em festas pode elevar consumo sem percepção do limite e trazer efeitos perigosos ao organismo, alerta nutrólogo

Por Redação Brazil Health , 01/02/2026

3 min de leitura

Energético com álcool aumenta risco ao coração e mascara embriaguez

Combinar bebidas alcoólicas com energéticos, hábito comum em eventos sociais, amplia riscos imediatos e tardios à saúde, inclusive entre jovens sem doenças prévias. O alerta é do nutrólogo Rômulo Bagano, docente da Afya Educação Médica São Paulo, que aponta impactos no coração, no fígado e no sistema nervoso.

Segundo o especialista, o álcool deprime o sistema nervoso central enquanto os energéticos estimulam a liberação de adrenalina e cortisol. A ação oposta pode dar sensação de disposição e controle, sem reduzir os prejuízos do álcool. “A pessoa se sente mais alerta, mas continua com prejuízo motor, cognitivo e de julgamento”, afirma.

Esse descompasso aumenta a chance de ingestão acima do planejado, favorece desequilíbrio de sais minerais e sobrecarrega as mitocôndrias, o que eleva o estresse do organismo. O resultado é maior vulnerabilidade a eventos adversos durante e após o consumo.

Riscos ao coração e ao cérebro

No sistema cardiovascular, a combinação pode provocar taquicardia, arritmias e picos de pressão. No fígado, há sobrecarga ao metabolizar simultaneamente álcool, cafeína e aditivos dos energéticos. No sistema nervoso, a mistura pode aumentar a excitabilidade, causar confusão mental, convulsões e piorar mecanismos de controle da ansiedade e da coordenação.

Relatos clínicos associam esse padrão de consumo a intoxicação aguda, pancreatite, hepatite alcoólica silenciosa e, em situações extremas, morte súbita por arritmia. Os riscos não se restringem a pessoas com doenças pré-existentes – jovens saudáveis também podem ser afetados, especialmente com volumes elevados ou uso frequente.

Sinais de alerta e quando buscar ajuda

Sintomas como os abaixo indicam que o organismo pode estar reagindo mal à mistura:

  • Palpitações, dor no peito e tremores
  • Náuseas, tontura e suor excessivo
  • Agitação, confusão mental e alteração do nível de consciência

Em casos de desmaio, convulsões ou dificuldade para respirar, a orientação é procurar atendimento médico imediato. Não há dose considerada segura para associar energético e álcool. “Não há evidência que valide essa combinação como segura. Mesmo uma única lata de energético já pode alterar o limiar de intoxicação alcoólica”, reforça Bagano.

Alternativas para manter a disposição

Para quem busca energia em festas e longos períodos de vigília, especialistas recomendam apostar em hidratação adequada, alimentação equilibrada e sono regular. Suplementos e adaptógenos devem ser usados apenas com orientação profissional, quando indicados, para evitar interações e sobrecarga do organismo.

Hidratar-se ao longo do evento e comer em intervalos regulares ajuda a atenuar os efeitos do álcool, reduz o risco de hipoglicemia e protege, em parte, a função hepática e renal. A medida mais segura, porém, continua sendo evitar a mistura de energético com bebidas alcoólicas.