Nutrição

Excesso de telas pode contribuir para obesidade infantil e piorar sono e alimentação

Especialista explica que o ganho de peso na infância tem várias causas e pede abordagem sem culpa, com mudanças de rotina envolvendo toda a família.

Por Redação Brazil Health , 05/06/2026

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Excesso de telas pode contribuir para obesidade infantil e piorar sono e alimentação

O uso prolongado de celulares, tablets, computadores e videogames está entre os fatores que podem favorecer o aumento de peso em crianças e adolescentes, ao reduzir a atividade física, interferir no sono e estimular hábitos alimentares piores. O alerta ganha força no Dia da Conscientização Contra a Obesidade Infantil, lembrado em 3 de junho.

Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam que uma em cada cinco crianças e adolescentes no mundo está acima do peso. Especialistas reforçam que, por trás desse cenário, há um conjunto de causas que vai além do que aparece no prato.

Segundo o endocrinologista pediátrico Raphael Soares Kinoshita, do ambulatório Atendimento Multiassistencial AMAS/Umane, a obesidade infantil deve ser tratada como uma condição multifatorial, sem simplificações. “A obesidade infantil é uma condição multifatorial. Nem sempre está relacionada apenas à alimentação oferecida pelos pais. Existe a predisposição genética e causas hormonais, como o hipotireoidismo, que podem contribuir para o ganho de peso. Além disso, fatores como sedentarismo, privação de sono e o uso excessivo de telas têm impacto direto no metabolismo e no comportamento alimentar das crianças”, afirma.

O tempo excessivo diante das telas costuma deslocar brincadeiras e atividades ao ar livre e pode piorar a qualidade do sono. Também aumenta a exposição a conteúdos que incentivam o consumo de alimentos ultraprocessados, o que pode dificultar escolhas mais saudáveis no dia a dia.

Por que o problema importa

O excesso de peso na infância não é apenas uma questão estética. Ele pode elevar o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, alterações no colesterol e problemas ortopédicos, além de estar associado a sofrimento emocional, como baixa autoestima e estigmatização.

Mudança de hábitos precisa incluir a casa

Para Kinoshita, o caminho mais efetivo envolve apoio e mudanças coletivas na rotina familiar, em vez de medidas isoladas direcionadas apenas à criança. “Não se trata de impor dietas restritivas à criança, mas de promover uma mudança coletiva de hábitos. Quando a família participa, o processo se torna mais saudável, sustentável e menos traumático. A infância é o momento ideal para construir uma relação equilibrada com a alimentação e com o próprio corpo”, diz.

Projeto no SUS orienta responsáveis em São Paulo

Na cidade de São Paulo, famílias de crianças com diagnóstico de obesidade podem receber orientação gratuita pelo SUS por meio do Projeto Alimentação, realizado no AMAS/Umane. A iniciativa seleciona pacientes para que responsáveis participem de aulas sobre hábitos saudáveis e mudanças de estilo de vida desde a infância.

Nos encontros, são discutidos temas como sono adequado, hidratação, prática regular de atividade física, diferenças entre alimentos in natura e processados e escolhas mais conscientes nas refeições.