Ginecologia e Obstetrícia

Anticoncepcional pode piorar ou melhorar a acne; entenda o que muda na pele

Dermatologista explica por que alguns métodos hormonais reduzem espinhas e outros aumentam a oleosidade, e orienta quando procurar avaliação médica após trocar o contraceptivo.

Por Redação Brazil Health , 29/06/2026

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Anticoncepcional pode piorar ou melhorar a acne; entenda o que muda na pele

A relação entre anticoncepcional e acne é uma dúvida frequente entre mulheres que usam métodos hormonais e percebem mudanças na pele. A explicação, segundo dermatologistas, passa pela ação dos hormônios sobre as glândulas sebáceas, responsáveis pela produção de oleosidade, o que pode favorecer poros obstruídos e inflamação.

De acordo com a dermatologista Fabíola Tasca, os andrógenos – hormônios presentes também no organismo feminino – podem aumentar a produção de sebo. “Principalmente os hormônios masculinos podem estimular a glândula sebácea a produzir uma maior oleosidade e, com isso, predispor ao surgimento das espinhas”, afirma.

Quando o anticoncepcional ajuda no controle das espinhas

A médica explica que pílulas anticoncepcionais podem melhorar a acne quando o problema tem componente hormonal, como em alguns casos associados à Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). “Quando existe uma desordem hormonal, o anticoncepcional pode ajudar porque está tratando a causa da acne”, diz.

Segundo ela, as formulações com ação antiandrogênica – que reduzem o efeito da testosterona sobre a pele – costumam ser escolhidas quando a acne é uma queixa importante. A resposta, porém, não é imediata: a melhora tende a aparecer entre três e seis meses após o início do uso, período em que o organismo se adapta.

DIU hormonal e implante podem aumentar a oleosidade em algumas mulheres

Nem todo método hormonal tem o mesmo impacto para todas as pacientes. Fabíola Tasca relata que alguns DIUs hormonais, como Mirena e Kyleena, podem estar associados ao aumento de oleosidade e acne em parte das usuárias, especialmente no começo. “Embora tenha ação mais local no útero, em determinadas pacientes observamos aumento da oleosidade e da acne, principalmente no período de adaptação”, afirma.

O mesmo pode ocorrer com o implante subcutâneo (Implanon), com intensidade variável. “Algumas mulheres desenvolvem quadros mais intensos, enquanto outras não apresentam nenhuma alteração”, diz a dermatologista.

Troca do método e estilo de vida também pesam

Outra situação comum é a piora da acne após trocar de pílula, sobretudo quando a paciente sai de uma formulação com maior ação antiandrogênica e passa para outra com menor efeito sobre os andrógenos. “A adaptação costuma acontecer entre três e seis meses”, explica.

A especialista ressalta que a acne não depende apenas de hormônios e pode ser influenciada por genética, rotina de cuidados com a pele, alimentação e outros fatores. Ela destaca que excesso de açúcar e carboidratos simples, uso de produtos muito oleosos e até suplementos como whey protein derivado do leite podem piorar o quadro. “Picos de insulina estimulam as glândulas sebáceas a produzirem mais oleosidade, o que favorece o surgimento da acne”, afirma.

Para a dermatologista, a escolha do método contraceptivo deve ser individualizada e, quando há queixa de acne, feita com diálogo entre ginecologista e dermatologista. “É muito importante que exista uma troca entre os profissionais para entender o melhor método para cada paciente, pensando não apenas na contracepção, mas também na saúde da pele”, diz.