Depressão

Tratamento que resgata memórias busca aliviar depressão de forma duradoura

Psiquiatra aposta em técnicas que trabalham lembranças e emoções antigas para reduzir recaídas, aliando clínica e neurociência

Por Redação Brazil Health , 07/01/2026

3 min de leitura

Tratamento que resgata memórias busca aliviar depressão de forma duradoura

A depressão segue como um dos maiores desafios de saúde, e cresce o interesse por caminhos que ofereçam mais do que alívio momentâneo. Uma linha terapêutica propõe acessar memórias e emoções antigas para reduzir a volta de padrões que sustentam o sofrimento.

À frente dessa proposta, o psiquiatra e neurocientista Diogo Lara afirma que parte do quadro depressivo está ligada a experiências não integradas no cérebro e no corpo. “O corpo registra o que a mente tenta suprimir”, diz ele, ao relacionar depressão a sofrimento acumulado.

Como funciona a proposta

Lara desenvolveu duas frentes complementares: a Abordagem Integrada da Mente (AIM), que identifica e reorganiza “histórias internas”, e o método INSIDELIC, criado para facilitar o acesso estruturado a conteúdos que influenciam reações atuais.

Segundo o médico, essas ferramentas buscam completar ciclos emocionais interrompidos, integrando lembranças, sensações corporais e significados. A ideia é diminuir a ativação de circuitos ligados à retração, culpa e perda de energia.

“Se só mexermos no que aparece hoje, o alívio tende a ser parcial, sem transformar o padrão de fundo”, avalia o psiquiatra, ao defender intervenções que alcancem a raiz emocional do sofrimento.

Resultados relatados

Em atendimentos e retiros terapêuticos, a equipe relata redução de sintomas, retomada de disposição e revisão de narrativas que orientam decisões e vínculos. Os relatos incluem maior clareza sobre gatilhos e escolhas.

Para Lara, a virada ocorre quando o cérebro processa o que ficou represado. “A mudança acontece quando as emoções são processadas e liberadas, deixando de comandar o funcionamento interno”, afirma.

Os relatos, contudo, não substituem a necessidade de avaliação individual. Nem toda pessoa responde da mesma forma, e o percurso pode exigir tempo, suporte e ajustes.

O que considerar no cuidado

Especialistas lembram que qualquer abordagem deve somar-se ao cuidado já estabelecido, que inclui psicoterapia, acompanhamento médico e, quando indicado, medicação. A orientação é não interromper tratamentos sem supervisão profissional.

Embora o racional se baseie em achados da neurociência sobre memória e emoção, a efetividade dessas metodologias depende de estudos contínuos e comparação com práticas consolidadas.

Lara argumenta que, ao tratar a depressão como um pedido de atualização interna, é possível abrir novas perspectivas. “Quando acessamos a origem emocional do sofrimento, surgem escolhas antes indisponíveis”, conclui.

Para quem convive com a doença, a mensagem é de integração: combinar estratégias que aliviem sintomas e, ao mesmo tempo, enfrentem os padrões que mantêm o ciclo pode ampliar as chances de um resultado mais duradouro.