Endocrinologia e Metabologia

Dormir mal não é normal: o que o ronco revela sobre sua saúde

Médico detalha como ronco, apneia e insônia afetam coração e cérebro — e por que um exame do sono pode transformar a saúde.

Por Redação Brazil Health , 15/02/2026

3 min de leitura

Dormir mal não é normal: o que o ronco revela sobre sua saúde

O sono é peça-chave para o corpo funcionar bem. “Passamos cerca de um terço da vida dormindo – e isso não é por acaso”, afirma o médico Alfredo Salim. À noite, o organismo se reorganiza, o cérebro consolida memórias, o sistema imunológico se fortalece e o coração desacelera para se recuperar.

Quando esse ciclo falha, o impacto é geral. “Dormir não é apenas 'descansar': é um processo ativo que sustenta praticamente todas as funções vitais”, diz Salim.

O que acontece no corpo enquanto você dorme

O sono avança em ciclos com fases diferentes. As primeiras são mais leves, quando o corpo começa a relaxar e a mente reduz o ritmo. No sono profundo, ocorre a verdadeira manutenção: liberação de hormônios, recuperação dos músculos, fortalecimento da imunidade e ajuste do metabolismo. Já na fase REM, o cérebro trabalha para consolidar memórias e organizar emoções.

Se essas etapas são interrompidas, o corpo não repara como deveria e o cérebro não se prepara para o dia seguinte.

Quando o ronco vira problema

Tratar o ronco como “normal” pode ser um erro. Ele pode indicar apneia obstrutiva do sono, em que a respiração para e volta diversas vezes durante a noite. A cada pausa, o cérebro “acorda” para retomar o fluxo de ar — o sono se fragmenta e as fases profundas ficam comprometidas.

Outros distúrbios comuns também minam o descanso:

  • Insônia crônica: dificuldade persistente para adormecer ou manter o sono
  • Síndrome das pernas inquietas: desconforto que obriga a mexer as pernas
  • Bruxismo: ranger dos dentes durante a noite
  • Hipersonia: sonolência excessiva mesmo dormindo horas suficientes

As consequências vão além do cansaço. Podem surgir alterações metabólicas, queda no desempenho cognitivo e maior risco cardiovascular. “Quando a respiração é interrompida repetidas vezes, o corpo libera adrenalina continuamente, como se estivesse em estado de alerta durante toda a noite”, explica o médico.

Entre os riscos ligados aos distúrbios do sono estão:

  • Hipertensão resistente
  • Arritmias
  • Infarto e AVC
  • Déficit de memória e concentração
  • Ansiedade e depressão
  • Alteração da glicose e maior risco de diabetes

O exame que decifra o seu sono

Para entender o que acontece durante a noite, o exame indicado é a polissonografia. “A polissonografia – exame que monitora ondas cerebrais, respiração, batimentos cardíacos, ronco, oxigenação e movimentos – é o padrão ouro para diagnosticar doenças do sono”, ressalta Salim. Ela mostra quando a respiração falha, se há fragmentação dos ciclos e como o corpo reage.

Com o diagnóstico, os tratamentos são personalizados e podem incluir:

  • CPAP para apneia
  • Ajustes comportamentais e higiene do sono
  • Terapias cognitivas para insônia
  • Controle de peso
  • Dispositivos intraorais
  • Medicamentos em casos específicos

Os resultados tendem a ser sentidos rapidamente no dia a dia. “Muitas pessoas descrevem a sensação após o tratamento como 'voltar a viver'.”

No fim, a mensagem é clara: “Dormir bem não é luxo – é necessidade biológica. Cuidar do sono é investir diretamente na saúde do coração, do cérebro e na qualidade de vida”.