Dermatologia

Saúde mental pode influenciar a pressão alta; estresse e ansiedade entram no radar

Pesquisas indicam que transtornos de humor e noites mal dormidas podem contribuir para o desenvolvimento e o agravamento da hipertensão, condição que afeta cerca de um terço dos adultos no Brasil.

Por Redação Brazil Health , 08/04/2026

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Saúde mental pode influenciar a pressão alta; estresse e ansiedade entram no radar

A ansiedade, o estresse crônico e a depressão têm sido cada vez mais associados ao risco de hipertensão arterial, problema que costuma evoluir sem sintomas e aumenta a chance de infarto e AVC. No Brasil, cerca de um terço da população adulta tem diagnóstico de pressão alta, segundo dados do Ministério da Saúde.

Além de fatores já conhecidos, como predisposição genética, excesso de sal na alimentação, sedentarismo e obesidade, estudos recentes sugerem que aspectos emocionais também entram na conta. Uma pesquisa publicada no Journal of the American Heart Association e uma revisão sistemática divulgada em 2025 apontaram que a presença simultânea de ansiedade e depressão esteve associada a maior probabilidade de hipertensão em jovens adultos.

Para o cardiologista Luciano Drager, coordenador de Ensino e Pesquisa em Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, a hipertensão é uma condição multifatorial e não pode ser explicada por um único gatilho. “Tradicionalmente, olhávamos mais para fatores como idade, obesidade, sedentarismo e consumo de sal. Mas hoje sabemos que transtornos de humor, como ansiedade e depressão, também podem contribuir para o desenvolvimento da hipertensão”, afirma.

Como o estresse pode mexer com o corpo

Segundo Drager, crises frequentes de estresse e ansiedade ativam mecanismos de alerta do organismo, com liberação repetida de adrenalina e outros hormônios. “Quando esse processo se torna crônico, pode favorecer a elevação sustentada da pressão arterial”, explica.

O impacto, porém, não se limita a reações biológicas. O estresse também pode alterar a rotina e piorar hábitos que protegem o coração, como manter o sono em dia e praticar atividade física.

Sono, alimentação e rotina no centro da prevenção

De acordo com o cardiologista, noites mal dormidas, alimentação desregulada, sedentarismo e ganho de peso aparecem com frequência em períodos de sobrecarga e podem contribuir para a piora da pressão. “Muitas vezes, o estresse vem acompanhado de noites mal dormidas, piora da alimentação e menor prática de atividade física. Esse conjunto de fatores também contribui para o aumento da pressão”, diz.

Ele defende que a prevenção deve reunir medidas práticas e sustentáveis. “Mais do que proibir, o caminho é orientar de forma prática: manter uma alimentação equilibrada, reduzir – mas não eliminar – o sal, praticar atividade física e cuidar da qualidade do sono são medidas essenciais”, destaca.

Quando cuidar da mente também é cuidar do coração

Para Drager, incluir a saúde mental na rotina faz parte da estratégia de controle da hipertensão, especialmente para quem convive com estresse persistente. “Regular o sono, criar pausas no dia a dia e aprender a lidar com situações de estresse são atitudes simples que podem ter impacto real na pressão arterial. Cuidar da mente também é uma estratégia importante de prevenção cardiovascular”, conclui.