Dermatologia

Ronco frequente pode indicar apneia do sono e aumentar risco de infarto e AVC

Barulho ao dormir nem sempre é só incômodo: interrupções da respiração à noite podem elevar a pressão, favorecer arritmias e sobrecarregar o coração.

Por Redação Brazil Health , 26/06/2026

4 min de leitura

Ronco frequente pode indicar apneia do sono e aumentar risco de infarto e AVC

O ronco costuma ser tratado como um problema doméstico, alvo de piadas ou motivo de reclamação do parceiro. Mas, quando é intenso, acontece quase todas as noites e vem acompanhado de pausas na respiração, pode indicar um distúrbio com impacto direto na saúde cardiovascular.

A cardiologista Ana Paula Andrade Garcia alerta que esse padrão pode estar ligado à apneia obstrutiva do sono, condição em que a pessoa para de respirar por alguns segundos repetidas vezes durante a noite. “O ronco, em muitos casos, é um sinal de que a via aérea está estreitando e que podem ocorrer interrupções da respiração durante o sono”, afirma.

Nessas situações, a respiração falha por obstrução das vias aéreas superiores e, com frequência, está associada ao excesso de peso. As pausas podem parecer curtas, mas se repetem muitas vezes ao longo do sono, afetando a oxigenação do organismo e fragmentando o descanso.

Quando o ronco deixa de ser normal

Nem todo ronco indica doença. Há casos ocasionais, relacionados a cansaço, consumo de álcool, resfriados, alergias, obstruções nasais transitórias ou à posição ao dormir. O sinal de alerta aparece quando o som é alto e recorrente, e principalmente quando alguém percebe paradas respiratórias.

Outros sintomas costumam acompanhar o quadro e ajudam a levantar suspeita. Entre eles estão:

  • sonolência excessiva durante o dia;
  • sensação de sono “leve” ou não reparador;
  • dor de cabeça ao acordar;
  • dificuldade de concentração e lapsos de memória.

Isso acontece porque o cérebro reage às quedas de oxigênio com pequenos despertares ao longo da noite para retomar a respiração, interrompendo repetidamente o ciclo normal do sono.

Como a apneia afeta o coração

O impacto não se limita ao cansaço. A cada pausa respiratória, o nível de oxigênio no sangue cai e o organismo entra em um estado de estresse, com liberação de adrenalina, aceleração dos batimentos e elevação da pressão arterial. Repetido noite após noite, esse mecanismo pode contribuir para um desgaste progressivo do sistema cardiovascular.

Há uma associação consistente entre apneia do sono e condições como hipertensão, arritmias, doença coronariana, insuficiência cardíaca, além de aumento do risco de infarto e AVC, segundo evidências reunidas por sociedades médicas nacionais e internacionais.

A especialista destaca que a apneia pode estar por trás de casos de pressão alta difícil de controlar. “Em parte dos pacientes, tratar o distúrbio do sono ajuda a melhorar o controle da pressão e a reduzir o risco cardiovascular”, explica Ana Paula Andrade Garcia.

Exame para confirmar e opções de tratamento

O principal exame para diagnosticar a apneia é a polissonografia, que monitora o sono durante a noite e avalia respiração, oxigenação, batimentos cardíacos e atividade cerebral. Com o resultado, é possível confirmar o problema e definir a gravidade.

O tratamento varia conforme o caso e o perfil do paciente. Mudanças no estilo de vida e estratégias voltadas à perda de peso podem ser decisivas quando há obesidade associada. Nesse cenário, a tirzepatida, medicamento usado no controle do peso, vem ganhando espaço como parte do manejo da apneia relacionada à obesidade, ao favorecer o emagrecimento e melhorar a mecânica respiratória.

Outra opção frequente, especialmente em casos moderados a graves, é o CPAP, aparelho que mantém a via aérea aberta durante o sono e tem efeito comprovado na melhora da pressão arterial e na proteção cardiovascular. Em situações selecionadas, podem ser indicados aparelhos intraorais ou procedimentos cirúrgicos.

Para a cardiologista, a meta vai além de reduzir o ruído. “Mais do que silenciar o ronco, o objetivo é restaurar um sono de qualidade e diminuir o estresse cardiovascular noturno”, afirma.

Quando o ronco é persistente, muito alto e vem acompanhado de cansaço durante o dia, a recomendação é procurar avaliação médica. Identificar e tratar a apneia do sono pode ser uma das medidas mais eficazes, e ainda subestimadas, para proteger o coração no longo prazo.