Dermatologia

Medicina redefine metas de colesterol e mira risco extremo de infarto e AVC

Novas evidências mostram que baixar o colesterol ruim a níveis inéditos é seguro e salva vidas; especialista explica metas, o exame da lipoproteína(a) e o que muda na prevenção.

Por Redação Brazil Health , 07/01/2026

3 min de leitura

Medicina redefine metas de colesterol e mira risco extremo de infarto e AVC

O colesterol alto segue entre os maiores vilões do coração. À luz de grandes estudos, a medicina está revendo como calcula e trata o risco cardiovascular. Em artigo, o cardiologista André Zimerman, do Hospital Moinhos de Vento, defende metas mais rígidas e personalizadas para o chamado “colesterol ruim”. “Reduzir de forma mais intensa o colesterol LDL, o ‘colesterol ruim’, é seguro e altamente eficaz para prevenir infartos e AVCs”, afirma.

De acordo com o especialista, as pesquisas envolveram centenas de milhares de pacientes e derrubaram receios antigos sobre efeitos colaterais cognitivos. “Esses estudos comprovaram que baixar o LDL a níveis muito baixos não traz prejuízos cognitivos nem efeitos colaterais significativos”, diz Zimerman.

Risco extremo: metas mais duras para o colesterol ruim

Com as novas evidências, diretrizes internacionais criaram a categoria de “risco cardiovascular extremo” — pacientes que já sofreram múltiplos eventos, como infartos ou derrames, e têm grande chance de recorrência. Para esse grupo, a recomendação é manter o LDL abaixo de 40 mg/dL, uma meta que até pouco tempo soava impensável.

O princípio por trás dessa mudança é simples. “Hoje, sabemos que quanto menor o nível de LDL, menor o risco de obstrução das artérias”, resume o cardiologista. A relação vale também para quem tem risco considerado baixo, com meta de LDL abaixo de 115 mg/dL. “Em outras palavras, não há mais um limite mínimo ‘perigoso’ para o colesterol ruim”, pontua. O acompanhamento deve ser próximo e o tratamento, ajustado caso a caso, sempre com orientação médica.

Um exame que vale por uma vida: lipoproteína(a)

Outro ponto em destaque é a lipoproteína(a), uma molécula semelhante ao LDL e determinada geneticamente, capaz de elevar significativamente o risco cardiovascular. A maioria das pessoas tem níveis normais, mas cerca de 1 em cada 5 pode apresentar valores altos sem saber. “A recomendação atual é que todos façam a dosagem da lipoproteína(a) pelo menos uma vez na vida”, explica Zimerman.

Como o nível é definido pela genética, o exame não precisa ser repetido e pode orientar o rastreamento familiar: parentes de primeiro grau têm mais de 50% de chance de também apresentarem níveis elevados, mesmo quando o colesterol total está normal.

Hábitos saudáveis continuam decisivos

Apesar de avanços em medicamentos e terapias, a base da prevenção não mudou: alimentação equilibrada, atividade física regular e controle do peso reduzem o colesterol e o risco de pressão alta, diabetes e outras doenças crônicas. Remédios entram quando, mesmo com estilo de vida saudável, o colesterol segue alto ou o risco é muito elevado. “A diferença agora é que temos mais ferramentas para avaliar e tratar de forma precisa cada paciente”, destaca o cardiologista.

  • Alimentação equilibrada
  • Prática regular de atividade física
  • Controle do peso corporal

No Brasil, o aumento do sedentarismo, da obesidade e de hábitos alimentares inadequados se reflete em taxas preocupantes de doenças cardiovasculares. “Precisamos de políticas públicas e ações que estimulem hábitos saudáveis desde cedo — nas escolas, nas empresas, nas comunidades”, defende Zimerman.

Manter o colesterol sob controle é uma das formas mais eficazes de prevenir infartos e AVCs. “A boa notícia é que, com exames simples e acompanhamento médico regular, é possível identificar quem tem maior risco, agir precocemente e prevenir uma grande parcela dos danos”, conclui.