Dermatologia

Infarto antes dos 40 e obesidade em alta fazem médicos anteciparem check-up

Aumento de doenças crônicas em adultos jovens reforça a importância de avaliar riscos e pedir exames preventivos mais cedo, especialmente para quem tem histórico familiar.

Por Redação Brazil Health , 13/05/2026

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Infarto antes dos 40 e obesidade em alta fazem médicos anteciparem check-up

O avanço de doenças crônicas entre adultos jovens no Brasil tem levado médicos a rever a idade de início dos check-ups. Dados do Instituto Nacional de Cardiologia e do Ministério da Saúde apontam que mais de 7,8 mil pessoas com menos de 40 anos morreram por infarto entre 2022 e 2024, indicando que problemas antes mais comuns na maturidade têm aparecido cada vez mais cedo.

No mesmo período, o país também registrou aumento importante de fatores de risco associados a doenças cardiovasculares e metabólicas. Segundo o Vigitel 2025, a prevalência de diabetes mais que dobrou desde 2006, passando de 5,5% para 12,9% em 2024. A obesidade, por sua vez, cresceu 118%, reforçando um cenário de agravamento de condições que costumam ser silenciosas no início.

“Diante desse contexto, a recomendação médica tem mudado: o check-up, tradicionalmente indicado a partir dos 45 anos, vem sendo antecipado”, afirma a endocrinologista Cristina Khawali, do Delboni e Lavoisier, em São Paulo. Para ela, a lógica é identificar alterações antes que evoluam para eventos graves. “Prevenir significa evitar custos futuros e preservar a qualidade de vida”, diz.

A especialista destaca que o excesso de peso já afeta uma parcela expressiva da população adulta. “Cerca de 70% da população adulta tem sobrepeso, sendo que 30% apresentam obesidade. Isso impacta diretamente a idade de início da rotina de exames”, afirma.

O que muda na prática com a prevenção mais cedo

Na avaliação médica, o check-up tende a ser definido por idade, hábitos e fatores de risco individuais, como pressão alta, sedentarismo, alimentação, sono e saúde mental. O acompanhamento periódico pode identificar precocemente alterações de pressão arterial, glicose e colesterol, além de orientar intervenções antes da progressão de doenças.

Um estudo publicado na revista BMC Medicine, que acompanhou cerca de 48 mil pessoas por nove anos, observou menor risco de morte por diversas causas entre indivíduos que realizavam check-ups regulares, com destaque para desfechos cardiovasculares.

Faixa etária e fatores de risco entram no cálculo

Diretrizes internacionais, como as da United States Preventive Services Task Force (USPSTF), atualizadas em 2025, indicam que a periodicidade dos exames deve levar em conta idade e risco. Em adultos de 19 a 49 anos, o foco costuma ser a checagem de pressão arterial, índice de massa corporal e saúde mental, com avaliações a cada um ou dois anos. A partir dos 50 anos, recomenda-se rastreamento anual com atenção também para câncer colorretal, saúde cardiovascular e densidade óssea.

Entre fumantes de 65 a 75 anos, a recomendação inclui um exame único para rastrear aneurisma de aorta abdominal por ultrassonografia.

Quando o histórico familiar exige atenção extra

Além do estilo de vida, a herança genética pode antecipar ainda mais a necessidade de investigação. “Quando existe uma carga genética importante, a recomendação é iniciar a investigação ainda mais cedo, antes mesmo de qualquer sintoma”, afirma Khawali.

Especialistas reforçam que a decisão sobre quais exames fazer e com que frequência deve ser individualizada e discutida em consulta, evitando tanto atrasos no diagnóstico quanto exames desnecessários.