Câncer de Intestino

Relógio biológico e dieta: estudo aponta nova pista para prevenir câncer de intestino

Pesquisa liga idade biológica acelerada e dieta pobre a risco maior de câncer de intestino; oncologista explica como hábitos e rastreamento podem mudar esse cenário.

Por Redação Brazil Health , 31/12/2025

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Relógio biológico e dieta: estudo aponta nova pista para prevenir câncer de intestino

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia reforça o papel do “relógio biológico” no risco de câncer colorretal. A análise usou dados de milhares de mulheres brancas na pós-menopausa, entre 50 e 79 anos, e cruzou amostras de sangue coletadas até 17 anos antes do diagnóstico com informações de saúde e estilo de vida.

Estudo aponta papel da idade biológica e da dieta

Segundo o artigo, participantes cuja idade biológica estava mais avançada do que a cronológica teve maior probabilidade de desenvolver câncer de intestino — especialmente quando consumiam poucas frutas e verduras. Já uma alimentação rica em vegetais pareceu neutralizar parte desse risco.

“Já aquelas que mantinham uma alimentação rica em frutas e vegetais não tiveram aumento do risco, mesmo quando eram biologicamente mais velhas”, afirma o oncologista Fernando Maluf. “Ou seja, cuidar do que colocamos no prato pode compensar parte do impacto do envelhecimento no organismo e ajudar a prevenir o câncer.”

O estudo também observou maior idade biológica em mulheres que retiraram os dois ovários antes da menopausa natural, o que se somou ao envelhecimento acelerado e elevou ainda mais o risco. “Isso mostra como os hormônios e a história reprodutiva da mulher devem ser sempre avaliadas”, ressalta Maluf.

Hábitos que fazem diferença

Para o médico, os dados se somam a um corpo robusto de evidências sobre prevenção. “Esses achados reforçam algo que temos defendido há algum tempo, a partir de dados científicos robustos: o estilo de vida é um dos pilares mais importantes da prevenção do câncer.” Entre as medidas destacadas no artigo estão:

  • Manter uma alimentação equilibrada rica em frutas e verduras
  • Praticar atividade física regular
  • Evitar o tabagismo
  • Moderar o consumo de álcool
  • No caso do câncer de intestino: priorizar fibras, reduzir carnes processadas e manter o peso saudável

Além da prevenção primária, há impacto também após o diagnóstico. “Durante a ASCO 2025, o maior congresso de oncologia do mundo, um trabalho que teve grande repercussão revelou que pacientes com câncer colorretal em estágio inicial ou intermediário que praticaram atividade física regular após o tratamento tiveram redução significativa do risco de recorrência e melhora da qualidade de vida.”

O texto destaca ainda que marcadores epigenéticos — sinais químicos que regulam a atividade dos genes — podem, no futuro, ajudar a direcionar quem deve fazer um rastreamento mais intensivo, personalizando cuidados e otimizando recursos.

Rastreamento salva vidas

Na detecção precoce, o exame de colonoscopia segue como principal aliado. “Hoje, a colonoscopia é o padrão-ouro para a detecção precoce de pólipos e tumores, devendo ser realizada de forma rotineira a partir dos 45 anos, ou antes em pessoas com histórico familiar.”

Diagnosticar cedo faz diferença direta no desfecho. “Quanto mais cedo diagnosticamos a doença, maiores são as chances de cura, e muitas vezes é possível remover lesões antes que se transformem em câncer.”

Para Maluf, a combinação de ciência e prática pode mudar o cenário brasileiro. “Investir em hábitos saudáveis, incentivar o rastreamento e, no futuro, incorporar ferramentas de avaliação de risco como a epigenética podem transformar a realidade do câncer colorretal no Brasil.”