Ansiedade

Quando o bolso aperta: por que a ansiedade com dinheiro está abalando a mente

Especialista explica como incertezas financeiras disparam sintomas e dá estratégias simples para retomar o equilíbrio.

Por Redação Brazil Health , 14/02/2026

3 min de leitura

Quando o bolso aperta: por que a ansiedade com dinheiro está abalando a mente

A preocupação com o custo de vida, o risco de desemprego e a inflação saiu do noticiário para entrar no dia a dia. O resultado aparece no corpo e na mente: noites mal dormidas, irritação, cansaço e dificuldade de concentração. “Vivemos em tempos em que a instabilidade econômica se tornou uma experiência e um desafio diário”, afirma o psicoterapeuta Diego Wildberger.

Segundo o especialista, esse conjunto de sinais compõe a chamada ansiedade econômica, um estado de inquietação e angústia constante diante das incertezas financeiras. “Infelizmente esse fenômeno não afeta apenas o orçamento familiar, ele toca dimensões profundas da psique humana e da identidade de cada um”, diz.

Raízes emocionais vão além do dinheiro

Wildberger explica que a relação com o dinheiro costuma estar atrelada a crenças sobre merecimento, expectativas de sucesso e experiências de escassez na infância. Em cenários imprevisíveis, essa base interna “entra em colapso e desaba”. O efeito é a sensação de perda de controle e instabilidade emocional.

O que acontece no cérebro diante da incerteza

Do ponto de vista da neurociência, a ansiedade econômica é um mecanismo de proteção. “Do ponto de vista da neurociência, a ansiedade econômica funciona como um mecanismo de proteção”, explica o psicoterapeuta. Quando o futuro parece impossível de prever, sobretudo em temas ligados à sobrevivência, o cérebro intensifica a vigilância. “Essa hiper vigilância constante, tentando prever riscos e controlar o incontrolável, gera desgaste emocional e fisiológico, fazendo com que o corpo produza mais cortisol.” O sono se fragmenta, a respiração encurta e a atenção fica comprometida.

Como aliviar o estresse financeiro no dia a dia

Para o especialista, lidar com a ansiedade econômica requer ações práticas e reflexão. Ele recomenda organizar as finanças, buscar orientação quando necessário e evitar o consumo de informações alarmistas. Na dimensão emocional, o passo é resgatar a confiança nas próprias capacidades de adaptação.

Entre as práticas que ajudam nesse processo estão:

  • cultivar a gratidão e reconhecer as conquistas, por menores que sejam, para conquistar autoconfiança;
  • praticar pausas de respiração e presença para regular o sistema nervoso;
  • reduzir a autocrítica e a comparação com os outros;
  • buscar acompanhamento terapêutico para trabalhar crenças e vínculos emocionais ligados ao dinheiro.

“Esses pequenos passos devolvem clareza e criam espaço para decisões mais equilibradas, mesmo em contextos desafiadores.”

Como corpo e mente funcionam em conjunto, Wildberger sugere reconectar essas dimensões com respiração, relaxamento, movimento e atenção plena. “Mais do que eliminar o medo, o objetivo é transformar a relação com ele, já que ele e qualquer outra emoção surge para nos proteger.”

O psicoterapeuta reforça que o foco é aprender a ancorar-se no presente para atravessar fases turbulentas. “Afinal, equilíbrio emocional não é ausência de crise, mas a capacidade de permanecer inteiro enquanto ela passa.” E conclui: “Quando compreendemos que a segurança verdadeira nasce de dentro, e não apenas do saldo bancário, damos um passo decisivo rumo a uma vida mais saudável e plena com adaptação emocional e cognitiva.”