Viagem para a neve: trajeto longo, frio e botas de ski podem afetar a circulação
Imobilidade por horas, desidratação no inverno e calçados rígidos favorecem inchaço e dor nas pernas e, em pessoas com risco, podem aumentar a chance de trombose.
Por Redação Brazil Health , 06/07/2026
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Férias de julho em destinos de neve, como estações de ski no Chile e na Argentina, costumam envolver voos e traslados longos, temperaturas muito baixas e o uso de botas rígidas por horas. Essa combinação pode dificultar a circulação nas pernas e provocar inchaço e desconforto, além de elevar o risco de trombose em pessoas predispostas.
“O problema não está no ski, no snowboard ou em outros esportes de inverno, mas sim em uma soma de fatores que pode prejudicar o retorno venoso das pernas, favorecendo até quadros de trombose em pessoas predispostas”, afirma a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular.
Por que o trajeto longo pesa nas pernas
Segundo a especialista, permanecer muito tempo sentado ou com pouca movimentação reduz o trabalho da panturrilha, músculo que ajuda a “empurrar” o sangue de volta ao coração. “Em trajetos longos, em que ficamos muito tempo parados, esse mecanismo fica reduzido e o sangue se acumula nas pernas”, explica.
Esse acúmulo pode resultar em retenção de líquido e sensação de peso nas pernas. Em quem já tem fatores de risco, a estagnação do sangue também pode facilitar a formação de coágulos.
Botas rígidas e frio intenso somam risco
As botas de ski e snowboard, embora importantes para estabilidade, podem limitar a movimentação do tornozelo e da panturrilha, especialmente quando apertadas ou usadas por muitas horas seguidas. “Por serem rígidas e impedirem a movimentação, prejudicam o trabalho das panturrilhas de bombear o sangue, favorecendo o surgimento de inchaço, formigamento e piora de sintomas em pessoas que já têm varizes, insuficiência venosa ou tendência à trombose”, diz Lamaita.
O frio intenso também influencia. “Em baixas temperaturas, ocorre uma contração natural dos vasos sanguíneos para preservar calor”, afirma a médica, lembrando que a menor percepção de sede no inverno pode levar à desidratação. “No frio, as pessoas bebem menos água e, muitas vezes, aumentam o consumo de bebidas alcoólicas. Essa desidratação pode deixar o sangue mais concentrado e dificultar ainda mais a circulação.”
Quem deve ter atenção redobrada e sinais de alerta
Nem toda pessoa que viaja longas distâncias ou usa botas de ski terá problemas circulatórios, mas alguns grupos precisam de maior cautela. Entre os fatores de risco para trombose venosa, a médica cita histórico pessoal ou familiar de trombose, varizes importantes, obesidade, tabagismo, uso de hormônios, gestação e pós-parto, câncer, trombofilias ou cirurgia recente. Nesses casos, uma avaliação antes da viagem pode orientar medidas preventivas, como meias de compressão e, em situações selecionadas, uso de anticoagulantes.
Para o público em geral, Lamaita recomenda cuidados durante o deslocamento, como levantar e caminhar sempre que possível, movimentar pés e tornozelos, evitar roupas apertadas, manter hidratação e moderar o álcool. Já na estação de ski, a orientação é fazer pausas, retirar as botas nos intervalos e observar pontos de compressão excessiva.
O alerta é não atribuir automaticamente sintomas ao frio ou ao esforço. “Dor, peso e inchaço nas pernas não devem ser ignorados, principalmente quando aparecem de forma assimétrica, em apenas uma perna, ou persistem após o descanso”, diz. Ela destaca como sinais de trombose: “Dor forte ou persistente na panturrilha, inchaço em apenas uma perna, vermelhidão, calor local, endurecimento da musculatura ou sensação de peso desproporcional”. Diante desses sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico com urgência.
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