Reumatologia

Varizes: quando a perna pesada pode indicar problema de circulação

Especialistas alertam que sintomas comuns, como inchaço e coceira, podem sinalizar insuficiência venosa crônica e piorar sem avaliação. Diagnóstico precoce ajuda a evitar complicações e amplia as opções de tratamento.

Por Redação Brazil Health , 05/06/2026

3 min de leitura

Varizes: quando a perna pesada pode indicar problema de circulação

A sensação de pernas cansadas no fim do dia, o inchaço nos tornozelos e os “vasinhos” aparentes não devem ser encarados apenas como desconfortos da rotina. Esses sinais podem indicar insuficiência venosa crônica, condição em que as veias das pernas têm dificuldade de levar o sangue de volta ao coração e que tende a progredir sem acompanhamento.

Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), 38% dos adultos no Brasil convivem com algum grau de varizes. Entre as mulheres, a frequência é maior, influenciada por fatores hormonais, gestação, uso de anticoncepcionais e histórico familiar.

“A doença atinge veias das pernas que perdem a capacidade de bombear o sangue de volta ao coração. Em vez de subir, o sangue represa”, afirma a cirurgiã vascular Haila Almeida. De acordo com ela, o quadro pode começar com pequenos vasos superficiais e evoluir para varizes mais calibrosas, acompanhadas de dor, sensação de peso, coceira e edema que piora ao longo do dia.

Por que adiar a consulta pode piorar o quadro

A especialista diz que é comum a paciente procurar ajuda apenas quando os sintomas já se tornaram persistentes. “Elas convivem com dor por anos. Normalizam o inchaço. Acham que é consequência inevitável da rotina. Mas não é”, relata.

Sem tratamento, a pressão dentro das veias aumenta e as válvulas venosas passam a falhar, o que favorece o acúmulo de líquido e alterações na pele. “A pele ao redor do tornozelo escurece, engrossa, coça. Pequenos traumas viram feridas de difícil cicatrização”, explica Almeida. Em situações mais graves, pode haver trombose venosa superficial, com risco de evolução para quadros profundos e embolia pulmonar, segundo a médica.

O que ajuda na prevenção e no alívio dos sintomas

Uma das medidas mais citadas por especialistas é manter a musculatura da panturrilha ativa, já que ela atua como uma “bomba” para impulsionar o sangue. “Cada passo contrai essa musculatura e empurra o sangue para cima. Por isso, o sedentarismo é um dos maiores inimigos das veias”, diz Almeida.

A médica recomenda caminhadas diárias de cerca de 30 minutos e períodos de elevação das pernas acima do nível do coração por 15 a 20 minutos, duas vezes ao dia. Ela também orienta atenção à hidratação, redução do excesso de sal e evitar permanecer longos períodos com as pernas cruzadas, o que pode dificultar o fluxo venoso.

Tratamentos atuais tendem a ser menos invasivos

Quando há necessidade de intervenção, a abordagem varia conforme o tipo e o calibre das veias afetadas. Para vasinhos, a escleroterapia (com líquido ou espuma) segue entre as técnicas mais usadas. Para veias maiores com refluxo, procedimentos endovenosos, como laser ou radiofrequência, podem selar a veia por dentro, com pequena punção na pele e retorno mais rápido às atividades.

Para a especialista, o ponto central é não reduzir varizes a uma questão estética. “A mãe que ignora a dor nas pernas não está sendo forte. Está adiando um problema que vai exigir mais tempo, mais dinheiro e mais sofrimento no futuro”, afirma. O diagnóstico costuma ser feito com avaliação clínica e exame de Doppler, que ajuda a mapear o funcionamento do fluxo nas veias.