Abuso de Poder

Abuso de Poder por Figuras de Confiança: Dos Impactos Sociais às Respostas Legais

Casos de assédio e abuso envolvendo pessoas admiradas desafiam leis e ressaltam a importância de prevenção em escolas, empresas e espaços religiosos

Por Redação Brazil Health , 07/10/2025

3 min de leitura

Abuso de Poder por Figuras de Confiança: Dos Impactos Sociais às Respostas Legais

A violência cometida por pessoas em posições de confiança e prestígio, como professores, chefes e líderes religiosos, representa uma ameaça silenciosa mas devastadora para vítimas e sociedade. O impacto desse tipo de abuso vai muito além dos danos físicos: envolve traumas emocionais, vergonha, perda de confiança e até prejuízos profissionais. A sensação de impotência cresce quando o agressor usa seu reconhecimento social e ascendência para silenciar denúncias.

O Brasil deu passos relevantes ao criar leis que protegem vítimas dessas situações. A Lei Maria da Penha, de 2006, representou um marco ao reunir diferentes formas de violência, ampliando o debate para além da agressão física. Ela inspirou mecanismos de proteção que contribuem para salvar vidas e fortalecer redes de apoio.

Leis ampliam proteção contra abusos de autoridade

No campo criminal, diferentes legislações buscam coibir atitudes de quem se apoia em uma posição superior para cometer abusos. Em 2001, o assédio sexual passou a ser crime quando envolve vantagem de alguém em posição hierárquica. Em 2018, veio a criminalização da importunação sexual, comum em ambientes coletivos e transportes. Nos últimos anos, legislações como as que combatem o stalking e a violência psicológica contra mulheres mostraram avanço na compreensão desse problema – ampliando a proteção para situações em que não há agressão física, mas sim perseguição, chantagem e intimidação.

Casos emblemáticos escancaram o problema

Casos de grande repercussão mostram a dinâmica do abuso praticado por quem é admirado. O ex-médico Roger Abdelmassih foi condenado a mais de cem anos de prisão por estuprar pacientes em situação de vulnerabilidade. No campo religioso, o médium João de Deus recebeu condenações por estupros enquanto atendia vítimas em busca de cura. No exterior, o escândalo envolvendo Harvey Weinstein escancarou como o poder pode ser usado para silenciar vítimas e como o rompimento desse silêncio é fundamental para promover mudanças.

Desafios para romper o silêncio

Dados mostram que o problema é estrutural. Pesquisas apontam que mais da metade dos brasileiros sabem de casos de violência contra meninas e mulheres, seja no ambiente escolar, de trabalho ou religioso. Para o professor Marcelo Santoro Almeida, da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, é preciso ir além das leis: “O direito já dá respostas importantes; cabe às instituições e à sociedade fazer com que essas respostas cheguem antes do trauma”, afirma.

A orientação é criar canais seguros para denúncia, capacitar líderes e gestores, preservar provas e garantir acolhimento especializado às vítimas. É dever dos espaços de ensino, trabalho e fé criar políticas que afastem a impunidade e promovam ambientes seguros para todos. Afinal, respeito não é concessão, mas obrigação legal e ética.