O inverno testa as defesas do organismo, e não é só por causa do frio
Baixa umidade, ambientes fechados e maior circulação de vírus ajudam a explicar o aumento das infecções respiratórias. O infectologista Dr. Lívio Dias orienta como prevenir complicações e reconhecer os sinais que exigem atendimento médico
Por Lívio Dias , 21/07/2026
5 min de leitura
Com a chegada dos meses mais frios e secos, aumentam os casos de doenças respiratórias. Gripe, resfriado, pneumonia, crises de asma e rinite tornam-se mais frequentes porque o clima e o comportamento das pessoas favorecem a circulação de vírus e bactérias. Em ambientes fechados, com pouca ventilação e maior aglomeração, a transmissão ocorre com mais facilidade por gotículas eliminadas ao falar, tossir ou espirrar.
O ar seco também tem papel importante. Quando a umidade cai, a mucosa do nariz e da garganta perde hidratação, o muco fica mais espesso e os cílios respiratórios, que são pequenas estruturas responsáveis por “varrer” secreções e microrganismos, funcionam pior. Isso reduz uma das principais defesas naturais das vias aéreas. Além disso, o ar frio e seco irrita brônquios e nariz, podendo piorar rinite, sinusite e asma, além de aumentar tosse e chiado no peito.
Vacinas e proteção: o que adianta fazer antes do pico
Nesse cenário, a vacinação deve ser vista como uma medida de grande importância. Vacinas contra influenza, COVID-19 e pneumocócica precisam de alguns dias a semanas para estimular uma resposta imunológica eficaz. Por isso, o ideal é atualizar o calendário antes do pico de circulação viral. A vacinação reduz principalmente o risco de formas graves, internações e mortes, benefício especialmente importante para crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas e indivíduos com doenças crônicas.
Nos últimos anos, uma das novidades mais relevantes foi a prevenção contra o vírus sincicial respiratório (VSR), importante causa de bronquiolite e pneumonia em bebês, além de doença grave em idosos e pessoas vulneráveis. Há vacina indicada para gestantes, capaz de transferir anticorpos (proteção) ao bebê ainda durante a gravidez, protegendo-o nos primeiros meses de vida. Também existe o nirsevimabe, um imunizante de ação prolongada, indicado para proteger lactentes e crianças com maior risco de doença grave. Para idosos, já há vacinas contra VSR recomendadas conforme idade, comorbidades e avaliação médica.
Quando procurar atendimento e o que evitar em casa
Nem todo quadro respiratório exige pronto-socorro, mas alguns sinais merecem atenção imediata. Falta de ar, respiração muito rápida, chiado intenso, lábios arroxeados, dor no peito, sonolência incomum, confusão mental, desidratação, vômitos persistentes ou febre alta por mais de 72 horas são alertas. Em bebês, observe esforço para respirar, afundamento das costelas, dificuldade para mamar e queda importante do estado geral. Pessoas dos grupos de risco devem procurar avaliação mais cedo, mesmo quando os sintomas parecem moderados.
Para as doenças sem vacina específica e também para aquelas que têm vacina, as medidas simples continuam fundamentais. Higienizar as mãos com frequência (com álcool em gel ou água e sabão), evitar tocar olhos, nariz e boca, cobrir tosse e espirros com o antebraço, manter ambientes ventilados e evitar contato próximo com pessoas doentes são atitudes de grande impacto. Quem está com sintomas deve reduzir contatos com outras pessoas, usar máscara em locais fechados ou em serviços de saúde e não compartilhar copos, talheres ou toalhas.
Hidratação e cuidado com o ambiente também ajudam. Beber água ao longo do dia mantém secreções menos espessas e melhora o conforto respiratório. Umidificadores podem ser úteis quando a umidade está muito baixa, mas devem ser usados com moderação e limpeza rigorosa. O excesso de umidade favorece mofo e ácaros, e aparelhos mal higienizados podem espalhar fungos e bactérias.
Outro ponto essencial é evitar a automedicação. Antibióticos não tratam viroses e, quando usados sem indicação, podem causar efeitos adversos e favorecer a resistência bacteriana. Descongestionantes, anti-inflamatórios e xaropes também podem trazer riscos, sobretudo para idosos, crianças, gestantes e pessoas com pressão alta, arritmias, doença renal ou uso de múltiplos medicamentos. Receitas caseiras podem aliviar sintomas leves, mas não substituem o diagnóstico quando há sinais de gravidade.
A prevenção das infecções respiratórias no inverno não depende de uma única medida, mas da soma de escolhas consistentes: vacinação em dia, ambientes arejados, higiene das mãos, etiqueta respiratória, hidratação, controle adequado de asma e rinite e atenção aos sinais de alerta. Em saúde respiratória, antecipar-se é sempre melhor do que correr atrás do prejuízo.
Dr. Lívio Dias - CRM/SP 122.637 | RQE 77567
Infectologista da Pro Matre Paulista
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