Microplásticos e fertilidade: o impacto invisível que pode chegar até o óvulo
Partículas microscópicas de plástico e compostos como BPA e ftalatos já foram detectados em tecidos humanos. Na reprodução, cresce a preocupação com possíveis efeitos sobre hormônios, qualidade dos óvulos e sucesso da fertilização – um campo ainda em construção científica.
Por Dra. Stephanie Majer , 18/05/2026
3 min de leitura
A presença de microplásticos no ambiente deixou de ser apenas um tema ecológico. Hoje, sabe-se que essas partículas podem entrar no organismo por meio da alimentação, da água e até do ar. Uma vez no corpo, passam a interagir com sistemas biológicos complexos – incluindo o sistema reprodutivo.
Esse cenário trouxe uma nova preocupação para a medicina: até que ponto a exposição crônica a esses compostos pode interferir na fertilidade?
Do ambiente ao organismo
Substâncias como bisfenol A (BPA) e ftalatos são amplamente utilizadas na produção de plásticos e embalagens. Elas são classificadas como disruptores endócrinos, ou seja, compostos capazes de interferir na ação dos hormônios.
Na prática, isso significa que podem mimetizar ou bloquear sinais hormonais importantes para a ovulação, a produção de espermatozoides e o equilíbrio do sistema reprodutivo.
A exposição não costuma ocorrer de forma isolada, mas contínua e em baixas doses ao longo da vida, o que torna seus efeitos mais difíceis de medir e compreender.
O que a ciência já encontrou
Pesquisas recentes identificaram microplásticos em diferentes tecidos humanos, incluindo sangue, placenta e líquido folicular – ambiente onde o óvulo se desenvolve.
Estudos experimentais sugerem que esses compostos podem estar associados a alterações na qualidade dos óvulos, no desenvolvimento embrionário e em processos de fertilização. Em modelos laboratoriais, também foram observados efeitos sobre inflamação, estresse oxidativo e função celular.
No entanto, é importante destacar que grande parte dessas evidências ainda vem de estudos iniciais. A relação direta entre microplásticos e infertilidade humana ainda está sendo investigada.
O que isso muda na prática
Embora a ciência ainda não permita conclusões definitivas, o tema já começa a influenciar o olhar sobre a reprodução – especialmente em casos de infertilidade sem causa aparente ou falhas repetidas em tratamentos.
Na reprodução assistida, por exemplo, a preocupação com o ambiente laboratorial e a exposição a contaminantes tem ganhado mais atenção.
Do ponto de vista individual, não é possível eliminar completamente a exposição a microplásticos. Mas algumas medidas podem ajudar a reduzi-la:
• evitar aquecer alimentos em recipientes plásticos• preferir vidro ou inox para armazenamento• reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados• evitar contato frequente com produtos que liberam compostos químicos
Essas estratégias não são garantias, mas fazem parte de um cuidado mais amplo com a saúde.
O impacto dos microplásticos na fertilidade ainda está sendo compreendido. O que já se sabe é que o ambiente em que vivemos interage diretamente com o funcionamento do organismo.
E, na reprodução, mesmo fatores invisíveis podem ter papel relevante – ainda que a ciência esteja apenas começando a decifrar esse efeito.
Dra. Stephanie Majer - CRM/SP 174028 | RQE 393260 Ginecologista Graduada em Medicina pelo Centro Universitário São Camilo Especialização em Reprodução Humana no Hospital Pérola Byington Especialista em Reprodução Assistida na ENNE Clinic Membro da Brazil Health
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