Clínica Médica

O adulto também precisa de vacina – e isso pode mudar sua velhice

Ministério da Saúde (Brasil) – Programa Nacional de Imunizações (PNI) e documentos técnicos de vacinação.

Por Dr. Alfredo Salim Helito , 22/06/2026

5 min de leitura

O adulto também precisa de vacina – e isso pode mudar sua velhice

O calendário não termina na infância: o Dr. Alfredo Salim Helito explica quais vacinas ainda protegem na vida adulta e por que elas pesam no envelhecimento saudável.

Quando pergunto a um paciente adulto sobre vacinas, a resposta mais comum é: “Tomei tudo quando era criança”. É compreensível, mas incompleto. A imunidade não é permanente para todas as doenças. Algumas proteções diminuem ao longo dos anos, enquanto outras passam a ser recomendadas apenas em determinadas fases da vida.

Temos hoje recursos capazes de prevenir doenças potencialmente graves, mas muitos adultos só descobrem a importância da vacinação depois de uma internação, de uma complicação ou de um surto familiar.

O calendário vacinal do adulto

Na prática clínica, algumas vacinas merecem atenção especial pelo impacto na redução de hospitalizações e complicações.

A vacina contra influenza deve ser aplicada anualmente. Como o vírus sofre mutações frequentes, a proteção precisa ser atualizada. Em idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, ela reduz significativamente o risco de formas graves e mortes.

Outra vacina importante é a contra o pneumococo, bactéria associada à pneumonia, meningite e infecções invasivas. O esquema varia conforme idade e condições de saúde, por isso a recomendação deve ser individualizada.

Também merece destaque a vacina contra herpes-zóster. A doença não se resume a lesões na pele. Em alguns casos, pode causar neuralgia pós-herpética, uma dor intensa e persistente que compromete qualidade de vida, sono e autonomia. A vacinação costuma ser recomendada a partir dos 50 anos e para pessoas imunossuprimidas.

Mais recentemente, a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) passou a integrar as estratégias de prevenção para adultos mais velhos. Embora seja conhecido por causar infecções em crianças, o VSR também pode provocar quadros respiratórios graves em idosos e indivíduos com doenças cardíacas ou pulmonares.

Já a vacina contra o HPV continua relevante mesmo após a adolescência. Dependendo da idade e do histórico individual, ela pode contribuir para a prevenção de diversos tipos de câncer e verrugas genitais.

Vacinar-se não é apenas uma proteção individual. Em doenças respiratórias, ampliar a cobertura vacinal ajuda a reduzir a transmissão para pessoas vulneráveis e diminui a pressão sobre os serviços de saúde.

Vacinação e envelhecimento saudável

Envelhecer bem não significa apenas viver mais, mas preservar independência e qualidade de vida.

Uma pneumonia pode levar à perda de massa muscular, aumentar o risco de quedas e agravar doenças crônicas. A gripe pode desencadear descompensações cardíacas e respiratórias. O herpes-zóster pode causar dor persistente durante meses.

Por isso, considero a revisão da carteira de vacinação tão importante quanto acompanhar pressão arterial, diabetes, sono e atividade física.

Uma simples pergunta costuma ser suficiente para iniciar essa conversa: sua carteira de vacinação está atualizada?

A resposta permite avaliar idade, doenças associadas, uso de medicamentos imunossupressores e contexto familiar, fatores que influenciam diretamente as recomendações.

Dúvidas são comuns, mas a informação ajuda

Grande parte da resistência à vacinação decorre de dúvidas legítimas. Reações podem ocorrer, mas geralmente são leves e passageiras, como dor no local da aplicação, febre baixa ou mal-estar por um ou dois dias.

Eventos graves são raros e monitorados continuamente pelos sistemas de farmacovigilância. Também é importante entender que nenhuma vacina oferece proteção absoluta, mas muitas reduzem de forma expressiva o risco de hospitalização, complicações e morte.

Se você não sabe quais vacinas precisa tomar, converse com seu médico. Atualizar a vacinação é uma das medidas mais simples, seguras e custo-efetivas da medicina preventiva. Em muitos casos, pode ser justamente o que ajuda a preservar a autonomia e a qualidade de vida nas próximas décadas.

Dr. Alfredo Salim Helito CRM/SP 43163 | RQE 132808

Clínica Médica

Membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês

Head nacional de Clínica Médica da Brazil Health

Referências e fontes consultadas

SBIm – Sociedade Brasileira de Imunizações: recomendações de vacinação para adultos e idosos.

OMS (WHO) – Influenza: posição e dados de vigilância global; vaccine safety (Global Vaccine Safety). CDC (EUA) – Adult Immunization Schedule; pneumococcal vaccination recommendations; herpes zoster vaccination guidance.

ACIP (Advisory Committee on Immunization Practices) – recomendações atualizadas para vacinação em adultos (pneumocócicas, zóster, HPV, influenza).

ECDC – European Centre for Disease Prevention and Control: dados de carga de doença e vacinação em adultos (influenza e pneumococo).