Angiologia e Cirurgia Vascular

Dor ao caminhar pode indicar entupimento nas artérias das pernas

Sintoma comum pode esconder problema silencioso que eleva o risco de infarto e derrame. Saiba quando buscar ajuda e como tratar.

Por Dra. Andréa Klepacz , 25/01/2026

3 min de leitura

Dor ao caminhar pode indicar entupimento nas artérias das pernas

A dor nas pernas ao caminhar, que melhora com o descanso, costuma ser atribuída ao cansaço, à idade ou a problemas musculares. Porém, esse incômodo pode ser um dos principais sinais da doença arterial periférica (DAP), condição em que as artérias que levam sangue às pernas ficam obstruídas. De evolução lenta e silenciosa, a DAP é mais comum do que se imagina e está diretamente ligada a um risco maior de eventos cardiovasculares graves.

O que é a doença arterial periférica e por que ela aparece

A doença arterial periférica ocorre quando placas de gordura se acumulam nas artérias, estreitando ou bloqueando o fluxo de sangue. Esse processo, chamado aterosclerose, é o mesmo que causa infarto e derrame, mas, na DAP, afeta principalmente os membros inferiores.

Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, o diabetes, a hipertensão, o colesterol alto, o sedentarismo e o envelhecimento. Quem tem histórico de doença cardiovascular também tem mais chance de desenvolver o problema. Com a redução do fluxo, os músculos das pernas recebem menos sangue e oxigênio durante o esforço, o que provoca dor intensa ao caminhar e faz a pessoa interromper a atividade.

Sintomas que não devem ser ignorados

O sintoma mais característico da DAP é a chamada claudicação intermitente: dor, queimação ou câimbras nas pernas ao andar, que desaparecem após alguns minutos de descanso. A intensidade varia conforme o grau de obstrução e pode surgir depois de poucos metros ou apenas em caminhadas mais longas.

Nas fases mais avançadas, os sinais ficam mais evidentes: pés frios, palidez ou escurecimento da pele, queda de pelos nas pernas, unhas frágeis e feridas que demoram a cicatrizar. Em casos graves, a dor pode aparecer mesmo em repouso, indicando comprometimento importante da circulação. Esses sintomas exigem avaliação médica imediata para evitar complicações, como infecções e risco de amputação.

Diagnóstico precoce e tratamento fazem a diferença

O diagnóstico da doença arterial periférica é feito por avaliação clínica e exames específicos, como o índice tornozelo-braquial e o ultrassom Doppler, que avaliam o fluxo de sangue nas artérias. Quanto mais cedo a condição é identificada, maiores são as chances de controle com medidas menos invasivas.

O tratamento envolve mudanças no estilo de vida, com abandono do tabagismo e controle rigoroso da pressão, do colesterol e da glicemia, além da prática regular de exercícios supervisionados, que ajudam a estimular a circulação. Em alguns casos, são indicados medicamentos para melhorar o fluxo ou reduzir o risco cardiovascular. Procedimentos endovasculares ou cirúrgicos ficam reservados para quadros mais avançados.

A doença arterial periférica não afeta apenas as pernas: ela é um marcador de risco para todo o sistema cardiovascular. Por isso, dor ao caminhar não deve ser normalizada. Investigar os sintomas e iniciar o tratamento adequado pode preservar a mobilidade, prevenir complicações e proteger o coração e o cérebro a longo prazo.

Dra. Andréa Klepacz - CRM/SP 128.575 | RQE 51419

Cirurgiã vascular

Membro da Brazil Health