Internações por asma sobem 63% no Brasil; inverno exige atenção redobrada
Dados do Ministério da Saúde indicam aumento entre 2020 e 2025. Especialistas explicam por que a estação favorece crises e lembram que o SUS atualizou o protocolo, ampliando opções para casos graves.
Por Redação Brazil Health , 02/07/2026
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As internações por asma cresceram no Brasil nos últimos anos e o inverno tende a agravar o cenário para quem convive com a doença. Dados do Ministério da Saúde divulgados em maio de 2026 apontam aumento de 63% no número de hospitalizações por asma entre 2020 e 2025. No Sistema Único de Saúde (SUS), a condição responde por cerca de 350 mil internações por ano e figura entre as principais causas de hospitalização no país.
O problema é potencializado porque a maioria dos pacientes não está com a doença controlada. Um inquérito nacional citado pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia indica que apenas 12,3% das pessoas com diagnóstico têm a asma controlada; 51,2% estão sem controle e 36,4% parcialmente controladas.
Por que o inverno piora a asma
No frio, aumenta a exposição a fatores que irritam e inflamam as vias aéreas: ar mais seco, maior presença de poeira, mofo e ácaros, além da circulação intensa de vírus respiratórios. Também é comum passar mais tempo em ambientes fechados, o que reduz a ventilação e favorece o acúmulo de alérgenos dentro de casa.
A pneumologista Hedi Marinho, docente da Afya Unigranrio Barra da Tijuca, explica que a estação funciona como gatilho em um sistema respiratório que já tem inflamação crônica. “A asma é uma doença inflamatória das vias aéreas. Quando o paciente entra em contato com ar frio, seco ou com agentes irritantes, ocorre uma resposta exagerada dos brônquios, que passam a se contrair e produzir mais secreção”, afirma.
Ela destaca que, muitas vezes, o paciente atribui a crise apenas à temperatura, quando há uma combinação de fatores. “Os ácaros são um dos principais desencadeadores de crises asmáticas. Quando os ambientes permanecem fechados e sem ventilação adequada, a concentração desses agentes aumenta significativamente”, diz.
Controle contínuo evita crises e hospitalizações
Infecções por vírus como influenza, rinovírus e vírus sincicial respiratório podem desencadear ou piorar crises, especialmente em meses de maior circulação. Para a especialista, um erro frequente é buscar ajuda apenas quando a crise já começou. “A asma é uma doença que exige controle contínuo. O paciente não deve esperar sentir falta de ar para se preocupar com o tratamento”, afirma.
Mudanças no tratamento no SUS em 2026
Em março de 2026, o Ministério da Saúde atualizou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da asma, ampliando opções para casos graves com a inclusão de novos medicamentos imunobiológicos e a ampliação do uso do mepolizumabe para crianças. A atualização reforça a necessidade de tratamento controlador, e não apenas do uso de remédios de alívio.
Para atravessar o inverno com mais segurança, especialistas recomendam manter vacinas de gripe e covid-19 em dia, seguir o tratamento prescrito, evitar fumaça de cigarro, hidratar-se e manter a casa limpa e ventilada. “Ter a medicação de resgate disponível, manter o tratamento controlador em dia e reconhecer precocemente os sinais de piora pode fazer toda a diferença para evitar uma crise grave”, afirma Hedi Marinho.
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