Cirurgia Cardiovascular

Julho Amarelo alerta: hepatites B e C elevam risco de câncer de fígado

Infecções virais estão entre as principais causas do tumor no mundo e podem evoluir sem sintomas por anos. Entenda como ocorre a transmissão, quem deve investigar e quais sinais pedem avaliação médica.

Por Redação Brazil Health , 02/07/2026

4 min de leitura

Julho Amarelo alerta: hepatites B e C elevam risco de câncer de fígado

As hepatites B e C, infecções que podem permanecer silenciosas por longos períodos, estão entre os principais fatores associados ao câncer de fígado. O alerta ganha força no Julho Amarelo, campanha de conscientização sobre hepatites virais, em um cenário de aumento da incidência e da mortalidade pela doença em diversos países.

Dados da American Cancer Society indicam que a incidência do câncer de fígado triplicou desde 1980, com crescimento também nas taxas de morte. No mundo, mais de 800 mil pessoas recebem o diagnóstico todos os anos. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima cerca de 12.350 casos por ano no triênio 2026–2028, com maior ocorrência em homens.

Além de aumentarem o risco de câncer, as hepatites B e C podem levar à cirrose, quando o tecido do fígado é substituído por cicatrizes e o órgão perde parte de sua função. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 304 milhões de pessoas vivem com hepatite B ou C.

Como evitar e como tratar

As hepatites B e C podem ser transmitidas por sexo sem preservativo, compartilhamento de agulhas e objetos de uso pessoal (como lâminas e alicates) e também da mãe para o bebê no parto. “A vacina contra hepatite B é oferecida gratuitamente pelo SUS. Além disso, apesar de não existir vacina para o vírus C, os novos tratamentos, também disponíveis na rede pública, possuem chance de cura em cerca de 90% dos casos”, afirma o oncologista Artur Rodrigues Ferreira, da Oncoclínicas.

O especialista ressalta que ter hepatite não significa, obrigatoriamente, desenvolver câncer. “Felizmente, não. As hepatites B e C, apesar de serem um fator de risco, não necessariamente determinarão o desenvolvimento da neoplasia”, diz.

Outros fatores associados ao câncer de fígado incluem cirrose por diferentes causas, consumo excessivo de álcool, diabetes, acúmulo de gordura no fígado (doença hepática gordurosa não alcoólica), algumas doenças hereditárias e exposição a aflatoxinas, toxinas produzidas por fungos em alimentos mal armazenados, como grãos e castanhas.

Sinais de alerta e quando investigar

O câncer de fígado pode não causar sintomas no início. Quando aparecem, os sinais são inespecíficos e podem ser confundidos com outras condições. Entre eles estão perda de peso sem explicação, falta de apetite, dor na parte superior do abdômen, náuseas, fraqueza, aumento do volume abdominal, surgimento de massa, icterícia (pele e olhos amarelados) e fezes muito claras.

Por ser uma doença frequentemente silenciosa, exames de rastreamento não costumam ser indicados para a população em geral. “Eles podem e devem ser recomendados em casos específicos, como nos pacientes com cirrose hepática, ou ainda infecção crônica por hepatite B”, afirma Ferreira.

Nessas situações, a avaliação pode incluir exames de sangue para checar a função do fígado e marcadores como a alfa-fetoproteína, além de exames de imagem (ultrassom, tomografia e ressonância). Em alguns casos, pode ser indicada biópsia, embora no carcinoma hepatocelular nem sempre ela seja necessária quando os achados de imagem e o quadro clínico são suficientes para fechar o diagnóstico.

Tratamento depende do estágio e do quadro do paciente

As opções variam conforme o tipo e a extensão do tumor, além da condição do fígado. Podem incluir cirurgia, transplante, procedimentos locais (como ablações e embolizações), radioembolização, imunoterapia e terapias-alvo, entre outras estratégias. Segundo o oncologista, a definição do melhor caminho deve ocorrer após discussão entre diferentes especialistas.